
A CAUSA E PROPÓSITO DAS TRAGÉDIASHUMANAS TEXTO Desde a mais remotaantiguidade o ser humano procura entender a causa de acontecimentos trágicospor meio de conceitos elaborados a partir de crenças compartilhadas de geraçãoa geração, julgando que determinados povos ou raças são atingidos por fatoscatastróficos devido a crenças e atitudes que acabam por trazer sobre eles aira das forças da natureza ou mesmo a ira de Deus. Também o Senhor Jesus Cristose deparou com tais fatos, que receberam dele um posicionamento realista quantoao que lhe questionavam, conforme nos relata o evangelista Lucas “E, NAQUELE mesmotempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatosmisturara com os seus sacrifícios. E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus forammais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se não vosarrependerdes, todos de igual modo perecereis. Ou aqueles dezoito, sobre os quais caiua torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todosquantos homens habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modoperecereis” (Lucas 13.1 a 5). Devemosbuscar o entendimento deste texto pela narrativa que o precede, ondeencontramos o Senhor Jesus alertando a nação de Israel quanto a necessidade dediscernimento diante das circunstâncias que os cercavam, a ponto de Jesus lhesexortar através de uma clara aplicação “Quando vedes a nuvemque vem do ocidente, logo dizeis: Lá vem chuva, e assim sucede. E, quando assopra o sul, dizeis: Haverácalma; e assim sucede. Hipócritas, sabeis discernir a face da terra e do céu; como não sabeisentão discernir este tempo?” (Lucas 12.54 a 56). Lucas dá ênfase a esta necessidade ao narrar odiálogo entre Jesus e os judeus que lhe falavam da morte de alguns homensgalileus a quem Pilatos mandara matar enquanto ofereciam seus sacrifícios notemplo. Imediatamente Jesus expos o pensamento errôneo daqueles homens ao lhesdisser “Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos osgalileus, por terem padecido tais coisas? Seguindo o mesmo pensamento, o próprio Jesuslhes propõe outro exemplo, dizendo-lhes “Ou aqueles dezoito, sobre os quaiscaiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todosquantos homens habitam em Jerusalém?”. Há uma sutil diferença entre o pensamento daqueles homens e a respostadada pelo Senhor Jesus. Enquanto o pensamento deles se baseava no fato que taisacontecimentos trágicos sobrevinham exclusivamente a homens pervertidos emerecedores de sofrerem tal pena, o Senhor Jesus aponta para a verdade que aameaça de um julgamento súbito não está limitada a pessoas a quem consideramosmás ou merecedoras de tal punição, mas que um iminente julgamento está prestesa atingir a todos os seres humanos, comopor duas vezes o Mestre lhes alerta “Não, vos digo; antes, se não vosarrependerdes, todos de igual modo perecereis”. O que Jesus lhes procuraensinar é que tais tragédias não devem ser encaradas como um julgamentoespecial de Deus sobre determinados homens, como se apenas eles fossemmerecedores de tão severa pena, mas como um aviso a todos os homens a respeitoda urgente necessidade de arrependimento, que no caso dos judeus, apontava paraa trágica destruição de Jerusalém cerca de quarenta anos adiante pelo generalromano Tito. Astragédias humanas não são um sinal da desaprovação divina sobre o pecado do serhumano, mas devem servir de aviso a toda humanidade quanto a urgentenecessidade de arrependimento e fé em Jesus Cristo, como nos demonstra oapóstolo Pedro “O Senhor não retarda a sua promessa,ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo paraconosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham aarrepender-se” (2 Pedro 3.9).