Ouça o podcast: Spotify | Deezer | Apple Podcasts O que vocĂȘ conquistou aos 30 anos? O filho de Felipe da MacedĂŽnia estudou com o maior filĂłsofo de seu tempo â talvez de todos os tempos â; unificou as cidades-estado gregas apĂłs sĂ©culos de disputas fratricidas; viajou mais de 30 mil quilĂŽmetros na aventura possivelmente mais audaciosa da histĂłria humana; fundou 70 cidades; elevou-se ao Olimpo dos maiores generais de todos os tempos, como CĂ©sar, Gengis Khan ou NapoleĂŁo, mas, diferentemente deles, lutava na linha de frente e jamais perdeu uma batalha; conquistou o mais poderoso impĂ©rio de seu tempo e criou o maior impĂ©rio que a humanidade jĂĄ vira, estendendo-se dos BalcĂŁs atĂ© a Ăndia; Alexandre atĂ© se tornou um deus. CaracterizĂĄ-lo, como fizeram alguns modernos, como um âprĂncipe da pazâ idealizador dos direitos humanos universais e da comunidade das naçÔes unidas Ă© abusar do romantismo ao ponto do delĂrio. Alexandre, o grande herĂłi, foi tambĂ©m um grande criminoso, que escravizou compatriotas, incinerou cidades, exterminou populaçÔes, assassinou amigos por despeito â e, hĂĄ quem diga, atĂ© seu pai por ganĂąncia. Aos 32 anos, parecia-se cada vez mais com um dĂ©spota oriental cheio de caprichos cruĂ©is e autodestrutivos. A morte prematura, por alguma molĂ©stia ordinĂĄria potencializada pelo abuso do ĂĄlcool, talvez tenha sido uma benção que lhe poupou fracassos e infĂąmia. E, talvez, por justiça poĂ©tica, o preço de sua ambição desmedida tenha sido a dissolução instantĂąnea de seu impĂ©rio. Dizem que Alexandre chorou ao pensar nos mundos que nunca conquistaria. Mas seu legado ignora fronteiras de tempo e espaço. Seu sonho de fundir num impĂ©rio multicultural e multilinguĂstico as duas superpotĂȘncias de seu tempo, a GrĂ©cia, no Ocidente, e a PĂ©rsia, no Oriente, foi tĂŁo improvĂĄvel e espetacular quanto fundir os Estados Unidos Ă UniĂŁo SoviĂ©tica nos tempos da Guerra Fria ou Ă China hoje. Como a carreira intelectual de seu mestre AristĂłteles, sua carreira militar foi feita de conquistas e sĂnteses. As conquistas territoriais que ele consumou criaram o espaço para o ImpĂ©rio Romano; e as sĂnteses espirituais que ele inaugurou gestaram o tempo da Cristandade. Convidados Delfim LeĂŁo: professor de Estudos ClĂĄssicos da Universidade de Coimbra. Henrique Modanez: professor de histĂłria antiga da Universidade de BrasĂlia. Thiago Biazotto: pesquisador de pĂłs-doutorado em histĂłria helenĂstica da Universidade Estadual de Campinas. ReferĂȘncias Os HerĂłis. De Alexandre o Grande e JĂșlio Cesar a Churchill e JoĂŁo Paulo II (Heroes), Paul Johnson. âAlexandre, o Grandeâ, em HistĂłria da Civilização. Vol. II. A Vida na GrĂ©cia (The Story of Civilization), de Will Durant. Alexandre, o Grande (Alexander the Great), de T.R. Martin e C.W. Blackwell. A ExtraordinĂĄria HistĂłria de Alexandre o Grande (Alexander the Great), de Nigel Rogers. Alexandre, o Grande e o perĂodo helenĂstico (Alexander the Great), de Peter Green. Alexandre, o Grande (Geschichte Alexanders des Grossen), de Johann Gustav Droysen. Alexandre o Grande (Alexandre le Grand), de Pierre Briant. âAlexandre, o Grandeâ, episĂłdio do podcast HistĂłria em Meia Hora. âAlexander the Greatâ, episĂłdio do programa In Our Time, da Radio BBC 4. âAlexander the Greatâ, episĂłdio do podcast The Rest Is History. âAlexander the Greatâ, episĂłdio do podcast How To Take Over the World. Ilustração: EstĂĄtua e busto de Alexandre, o Grande, no Museu ArqueolĂłgico de Istambul. O post Alexandre, o Grande apareceu primeiro em Estado da Arte.