
Episódio
Na coluna desta quarta-feira (29), Atílio Bari comenta um caso de descarte de livros em Osasco, na região metropolitana de São Paulo, onde funcionários da Prefeitura foram flagrados jogando centenas de exemplares da Biblioteca Pública Monteiro Lobato em caçambas. As imagens mostram livros sendo transportados em carrinhos de mão e arremessados sem qualquer cuidado. Diante da repercussão, a Prefeitura apresentou explicações que, na avaliação do colunista, não se sustentam diante do que foi registrado. Ele chama atenção para o contexto mais amplo do problema. A biblioteca está fechada desde 2020 para uma reforma que nunca começou, o que pode ter contribuído para a deterioração do acervo. Ainda assim, Atílio argumenta, existem técnicas capazes de recuperar livros afetados por fungos, o que torna o descarte ainda mais questionável. Além disso, havia entre os títulos descartados, possivelmente obras raras, títulos fora de catálogo e produções de autores locais — materiais que não podem simplesmente ser substituídos. Para o colunista, o episódio escancara o descaso recorrente com espaços culturais como bibliotecas, museus e teatros. Ao refletir sobre o caso, ele amplia a discussão ao lembrar que a eliminação de livros carrega um peso simbólico histórico, presente em episódios como a “Queima de livros” na Alemanha Nazista. O colunista também cita o filme Fahrenheit 451, de François Truffaut, que retrata uma sociedade onde a palavra escrita é proibida e livros são sistematicamente destruídos. Embora reconheça diferenças entre ficção, história e o caso de Osasco, ele destaca que a reação popular é essencial para conter o descaso e preservar o valor da cultura.