
Episódio
Na coluna desta quarta, Atílio Bari comenta a nova temporada de “Simplesmente eu – Clarice Lispector”, espetáculo criado em 2009 e retomado em um momento em que as reflexões da escritora parecem ainda mais atuais. A peça marca o retorno da atriz Beth Goulart aos palcos da capital paulista depois de 16 anos. Entre guerras, polarizações políticas, pandemia e o avanço das redes sociais, o texto ressalta como a sensação de solidão e incomunicabilidade permanece presente na sociedade contemporânea. Nesse contexto, as palavras de Clarice seguem ecoando com força. “A palavra é o meu domínio sobre o mundo. Enquanto eu tiver perguntas e não houver respostas continuarei a escrever”, diz um dos trechos destacados da autora, cuja obra aborda identidade, desamparo e existência com profundidade e poesia. No palco quase vazio, Beth Goulart se transforma em Clarice Lispector em um projeto totalmente autoral, concebido, adaptado e dirigido pela própria atriz, com supervisão de Amir Haddad. “Beth Clarice”, como define o texto, mistura as duas personalidades em cena, preenchendo o espaço com lirismo, intensidade e reflexão. “Simplesmente eu – Clarice Lispector” fica em cartaz de sexta a domingo, até 19 de junho, no Teatro Moise Safra, na Barra Funda.