
Episódio
Na coluna desta quarta-feira (27), Atílio Bari comenta o espetáculo “Sete minutos”, estrelado por Antonio Fagundes, em cartaz até agosto no Teatro Cultura Artística. A peça parte de uma provocação curiosa: a ideia de que as pessoas conseguem manter a atenção por apenas sete minutos. A partir dessa premissa, o ator e dramaturgo constrói uma comédia sobre os desafios contemporâneos da relação entre artistas e público, tema que dialoga diretamente com os tempos de redes sociais, excesso de estímulos e consumo rápido de conteúdo. No palco, Fagundes vive um ator que interrompe uma apresentação de “Macbeth”, de Shakespeare, após se irritar com tosses, conversas, celulares e até um espectador da primeira fila que coloca os pés no palco. “Diante do que considerou um ultraje, o ator, extremamente irritado, interrompe a encenação e manda o público se retirar, o que causa um tumulto na frente do teatro”. A partir desse incidente, a montagem passa a discutir os limites da convivência dentro das salas de espetáculo e o impacto da dispersão do público sobre o trabalho dos artistas. Ao mesmo tempo, Fagundes também lança um olhar para o outro lado dessa relação: o das pessoas que enfrentam trânsito, chuva, distância e o preço dos ingressos para viver a experiência teatral. Para o colunista, “o artista é o grande anfitrião desse encontro”, ressaltando que a plateia também ocupa um papel central nesse ritual coletivo. Entre humor e reflexão, “Sete minutos” transforma situações corriqueiras do teatro em um debate atual sobre atenção, respeito e presença.