
A morte de uma cadela, esfaqueada por um vendedor de carnes no mercado público de Delmiro Gouveia, em plena luz do dia, na frente de pessoas que ficaram incrédulas com a monstruosidade do homem, reascende a discussão da falta de políticas pública nas cidades aqui do Sertão. É certo que prefeitos alagoanos – a muito tempo – mantém os tais de consórcios que para o povo – é essa a explicação – servem para gerir a iluminação pública, o lixo e até as contratações. Mas não servem para cuidar dos animais das cidades, embora algumas aqui da região tenham criado campanhas para castração de cães e gatos. E só. É inadmissível o que acontece com os animais. E mais inadmissível é saber que existe solução. Em pleno século 21 ainda assistimos – passivos – prefeitos daqui do Sertão usarem cavalos para recolherem o lixo das cidades. E com um detalhe: os animais são dos próprios servidores públicos, ou seja, o servidor recolhe o lixo, coloca na carroça e guia o animal pelas ruas. Ande por onde andar, pelo comércio ou na área rural, encontramos animais sozinhos, muitas das vezes ameaçando a vida deles e da população, em mercados públicos, na frente de lojas, na frente das nossas casas, nas ruas, praças, nas avenidas, nas rodovias e até na frente de hospitais. E não são apenas cães e gatos. Temos porcos, cavalos, burros e só não temos elefantes e girafas soltos pelas ruas porque aqui não se cria. A fauna nas ruas, pelo jeito, só não é vista por quem ganha as eleições. Nenhum prefeito tem a capacidade de criar um centro de zoonose ou se for caro – e acredito que é – convencer os colegas próximos para criarem uma espécie de consórcio que possa recolher e levar esses animais para um local com tratamento, alimentação e dignidade. É, mas isso não dá voto e então, resolver o problema não deve ser a solução. Infelizmente convivemos com a malevolência de quem está no poder para resolver os problemas. É lógico que quando tal problema lhe dá votos ou resolve a situação de algum parente ou amiguinho que financiou a campanha, aí sim, não tem limites para os gastos e o dinheiro pode ser retirado dos recursos da Covid, da educação, da infraestrutura.