
O Massacre da Serra Elétrica, Evil Dead, Halloween e Sexta Feira 13 já eram filmes consagrados do gênero terror e sucessos de bilheteria. Os filmes aterrorizavam, ainda que embora Leatherface, Myers e Jason eram seriais killers intangíveis no mundo real - Graças a Deus, diga-se de passagem - Era então necessário uma reinvenção do gênero, algo imersivo a um perigo imediato e presente no cotidiano. O talentoso roteirista e diretor Wes Craven já era um nome conhecido por seus pesados filmes de horror e personagens aterradores. Como exemplo, há o slasher “Aniversário Macabro” (The Last House on the Left) de 1972 e “Quadrilha de Sádicos” (The Hills Have Eyes) de 1977. Wes Craven se inspirou e concebeu a ideia original após ler notícias de jornais de sucessivas mortes de pessoas que diziam ter pesadelos e todas serem vítimas da morte enquanto dormiam. A invenção da horrenda personagem Freddy Krueger nasceu a partir de uma medonha experiência própria e real que Craven teve na infância - a de um sinistro homem que ao lado de fora de sua casa lhe encheu de pavor - aliado ao nome de um colega de classe que praticava bullying contra o criador da cinessérie. Para dar vida ao desfigurado personagem, Robert Englund passava cerca de quatro horas por dia sendo preparado por uma equipe de maquiadores. O longa foi filmado em um mês. Com custo de produção menor do que 2 milhões de dóllares, sua arrecadação foi de US$ 25 milhões apenas nos Estados Unidos. Esse ótimo retorno financeiro acabou salvando a produtora New Line Cinema da falência, haja visto que ela havia deixado de pagar o elenco e a equipe de produção durante as filmagens do longa. A obra é bem escrita e há uma quebra gigante de roteiro, um plot twist homenageando o filme “Psicose” de Alfred Hitchcock, já que a personagem de Tina, que se acompanha até certa altura do filme morre, “passando o bastão” e o protagonismo para outra personagem, Nancy. Não se limitando apenas em ser um slasher com cenas de mortes fortíssimas, o filme promove terror psicológico que envolve distúrbios de sono, no melhor estilo, dormiu perdeu, playboy! Como exemplo, a morte da personagem Tina e de banho de sangue - como a cena da cama de Glen - interpretado pelo aqui estreante Johnny Depp. Com relação à qualidade técnica, o filme conta com ótima direção, boa direção de arte, boas atuações e um belo de um espetáculo de sangue e mortes criativas - ao público adepto. Claro que em algumas questões técnicas o filme pode decepcionar novas gerações - inclusive por uma fracassada cena final do filme, que atualmente, mais arranca risadas do que pavor. De qualquer forma, Freddy Krueger é uma personagem bem construída que, em sua época, arrancou gritos nos piores pesadelos de muitos espectadores. Quem sabe em breve, ganhe sobrevida mas de forma digna, à altura do que Wes Craven criou no passado. “A Hora do Pesadelo” teve ao todo sete longas e uma série de TV de 3 temporadas. Embora seja de sua criação, Wes Craven dirigiu apenas o primeiro e o último filme deles. “O Novo Pesadelo: O retorno de Freddy Krueger” de 1994, comemora em grande estilo os dez anos do legado do personagem e da franquia. Houve também um ótimo e bem avaliado crossover “Freddy vs. Jason” de 2003, filme que trouxe o brutal duelo dos dois personagens das diferentes franquias. AAAH, e por fim, um remake completamente esquecível que desagradou crítica e fãs do original. O escritor e diretor Wes Craven morreu em 2015 deixando em seu legado do horror, excelentes filmes como os já citados “Aniversário Macabro”, “Quadrilha de Sádicos”, “A hora do pesadelo” (claro), e a famosa franquia “Pânico”, entre outros.