
O capítulo analisa a transição do pensamento sobre a infância para a modernidade, deslocando o foco da filosofia clássica para a história das mentalidades e das relações entre saber e poder, fundamentando-se nas obras de Philippe Ariès e Michel Foucault.A primeira parte discute a "invenção da infância" proposta por Ariès, argumentando que a consciência de infância, como a conhecemos hoje, não existia na Idade Média. A partir do século XVII, surge um novo sentimento social que coloca a criança no centro da atenção familiar e promove o seu isolamento do mundo adulto em instituições específicas, sendo a escola o principal espaço de confinamento e formação.A segunda parte explora a escola como um dispositivo de poder disciplinar sob a ótica foucaultiana. O autor descreve como a disciplina — que une saber e poder — utiliza técnicas como a vigilância hierárquica, a sanção normalizadora (que pune desvios mínimos para corrigir o comportamento) e o exame para fabricar "indivíduos úteis" e subjetividades dóceis.Nesse contexto, introduz-se a figura do "professor-pastor", que adapta a velha tecnologia do poder pastoral cristão às necessidades do Estado Moderno. Esse professor assume a responsabilidade total pela conduta e pelo destino de seus alunos, exigindo um conhecimento profundo da alma de cada criança para guiar seu desenvolvimento intelectual e moral. Concluindo, o capítulo demonstra que a pedagogia moderna e a infância se constituíram de forma mútua e inseparável, fazendo com que a criança moderna não possa mais ser pensada fora da sua condição de aluno