
Este trabalho investiga as contribuições do pensamento de Gilles Deleuze e Félix Guattari para a Educação Infantil, propondo uma ruptura com as perspectivas desenvolvimentistas e normativas que operam como ferramentas de modelização da subjetividade. No contexto atual, marcado pelo megafascismo e pelo neoliberalismo, a educação é frequentemente capturada por uma lógica de governança que prioriza índices de desempenho e a formação de "cidadãos produtivos" adaptados ao mercado. Frente a esses "kits de identidade" impostos pelo sistema capitalista, a infância é explorada como uma potência de criação, experimentação e produção de mundos. Através do conceito de linhas de fuga, argumenta-se que a experiência educativa deve ultrapassar a mera reprodução de saberes para se tornar um campo de singularização, onde o desejo não seja capturado por microfascismos cotidianos. Assim, o pensamento deleuze-guattariano oferece subsídios para pensar a escola como um espaço de resistência, privilegiando a criação de novos possíveis em detrimento da comunicação massificada e das exigências performativas do neoliberalismo