
Caros ouvintes, O populismo é um traço nefasto da cultura política na América Latina, perpassa todo o espectro ideológico-partidário. Líderes populistas, sempre travestidos de benfeitores do “povo”, usam o Estado de forma irresponsável, para a manipulação da população, com o objetivo de manter-se no poder. É este o tema da Opinião da Semana: “O Irresponsável rompimento do teto”. O irresponsável rompimento do teto - Editorial Com a popularidade em baixa e ameaçada pela crise econômica que deve se aprofundar no ano eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro recorre à fórmula mais conhecida do populismo: abertura dos cofres públicos para ampliação dos gastos. Tinha uma pedra no meio do caminho: a norma constitucional que define um teto para os gastos públicos, obrigando a manter o valor total do orçamento aprovado em 2016 (corrigido pela inflação). Esta pedra, introduzida na Constituição em 2016, é uma muralha contra o populismo e a gastança de governantes cujo sucesso político depende da irresponsável distribuição de renda e favores eleitorais. O último recurso eleitoral do presidente é o aumento dos benefícios com o chamado Auxílio Brasil (que substitui o Bolsa Família) e a criação de um adicional justo até o final do seu mandato. Ninguém pode negar a necessidade de ajuda social aos milhões de brasileiros vítimas da crise econômica e social, mesmo sabendo que a recente generosidade de Bolsonaro tem claras intenções eleitorais. Não se pode, contudo, aceitar o rompimento do teto de gastos sob o risco de liberação da fúria gastadora dos populistas, deste e do que poderá vir depois. Para conceder o auxílio sem romper o teto de gastos, o governo teria que tirar recursos de outra rubrica, e a equipe econômica, ignorada pelo ministro Paulo Guedes, tinha várias propostas na mesa, incluindo a redução dos recursos do Fundo Partidário e Eleitoral e das emendas parlamentares, ou a suspensão da dedução de impostos sobre despesas de saúde, que poderiam gerar R$ 20 bilhões. Bolsonaro não quer, e o Centrão não deixa, porque são recursos para compra dos políticos, e porque temem perder a simpatia da classe média e alta, e da corporação médica. Resta a manobra orçamentária que rompe o teto de gastos, abrindo a porteira para o populismo e provocando graves consequências políticas e econômicas. A estagflação (combinação perversa de estagnação e inflação) será um alto preço que os brasileiros terão que pagar por mais esta irresponsabilidade de Bolsonaro. O troco será dado nas urnas, em outubro do próximo ano. Assinatura O Instituto de Estudos e Pesquisas para o fortalecimento da Democracia - IEPFD e a Revista Será? apresentaram a Opinião da Semana na Revista Será? Revista Será? Penso, logo duvido. Desde 2012 acompanhando o fluxo da história do Brasil e do mundo. Visite o site da Revista Será? em www.revistasera.info Para conhecer a e acompanhar as atividades do Instituto visite nosso site em www.iepfd.org Eu sou João Rego e este é o podcast do IEPFD. Um forte abraço e até a próxima semana. Revista Será? www.revistasera.info Instituto de Estudos e Pesquisas para o fortalecimento da Democracia – IEPfD www.iepfd.org