
O assédio é uma prática de violência que submete homens e mulheres a um processo de fragilização, dissolução de autoestima e autodepreciação. Situações de assédio sexual e moral estão presentes nas relações de trabalho desde a Idade Média, e no Brasil, desde os tempos da escravidão. Mesmo hoje, a naturalização dessa violência tem raízes na falsa verdade de que a sobrevivência a abusos psicológicos e físicos faz nascer profissionais resistentes à pressão. Esta é uma herança de modelos baseados na preparação de soldados para a guerra. Mesmo sendo considerado crime vigente no Código Penal, o assédio sexual sobrevive graças ao medo e silêncio das vítimas e à falta de uma rede de apoio e proteção. Olhando para o mercado de comunicação, uma pesquisa realizada pelo Grupo de Planejamento escancarou a realidade obscura e grave do assédio nas grandes empresas do setor: 90% das mulheres entrevistadas já sofreram algum tipo de assédio, seja moral ou sexual; 51% foram assediadas sexualmente no ambiente de trabalho e, desse número, 39% dos casos envolveram contatos físicos. Além disso, para 89% das mulheres, o assédio moral faz parte do cotidiano de trabalho. Por isso, esse job é urgente e pra ontem: como criar, implementar e fazer valer políticas anti-assédio que tenham resultado de curto prazo na realidade das empresas? Para resolver esse job recebemos Pedro Reiss, CEO da Wunderman Thompson, Juliana de Faria, Diretora das organizações irmãs Think Olga e Think Eva e Daniele Mattos, Market Engagement & Culture Senior Analyst na Mutato e Cofundadora do Indique Uma Preta.