
Os idiomas no Brasil Holandês. 📜 Muitas eram os falantes das mais variadas línguas da Nova Holanda. Além dos falantes do português, havia idiomas como o castelhano (devido a união ibérica), o holandês, o francês, o inglês, as várias línguas e dialetos dos escravizados africanos e de várias etnias indígenas que compunham o litoral e o interior do nordeste brasileiro. Segundo Villata: 📜 “A ocupação holandesa ocorreu num momento em que os portugueses já haviam lançado as bases de sua civilização, enredando a índios e negros. Por isso, com o objetivo de garantir a dominação, os invasores fizeram concessões aos portugueses, sem, contudo, aplicar uma política séria de conciliação. No Brasil holandês, assim, o governo pautou-se por uma prudente e relativa tolerância em relação às diferentes etnias, nacionalidades e credos. Ao mesmo tempo, permitiu a instalação de indivíduos oriundos não apenas da Holanda, mas também da Alemanha, França, Inglaterra, e provavelmente de credo protestante. A relativa tolerância dos holandeses envolvia a liberdade de culto, mas enclausurava as nacionalidades, etnias e grupos confessionais em si mesmo. Os judeus estavam impedidos de casar com cristãos; ódios, desconfianças e diferenças de credo separava portugueses de holandeses e, talvez, de alemães, ingleses e franceses. Essa situação dificultava a consumação de matrimônios mistos: a nobreza da terra se encerrou em casamentos endogâmicos e apenas algumas mulheres dos estratos subalternos uniram-se a holandeses. Desse modo, inexistiu ambiente fecundo para a multiplicidade linguística se enraizasse nos desvãos da intimidade cotidiana e para que se estabelecessem trocas culturais consistentes. A confluência das diversas línguas deve ter se restringido às ocasiões, mormente as públicas, em que o contato com os ‘outros’, era inevitável ou imprescindível, exigindo algum tipo de intercâmbio no nível linguístico. Uma dessas circunstâncias foi a evangelização: a ‘prudência’ dos holandeses levou-os a usar o português, pois os missionários protestantes notaram que o uso do neerlandês era ineficaz na instrução religiosa dos africanos e gentios da terra. Alguns missionários também aprenderam o idioma dos índios; outros, além disso, apelaram para o francês. O governo providenciou, por fim, a elaboração de cartilhas e compêndios de doutrina cristão para serem aplicados aos meninos índios; um catecismo trilíngue – holandês, português e tupi – foi composto, não tendo sido divulgado por objeções da Igreja holandesa.” (P. 343-344) 📜 VILLATA, Luiz Carlos. “O que se fala e o que se lê: língua, instrução e leitura”. In: NOVAIS, Fernando A.; SOUZA, Laura de Mello e. (Orgs) História da Vida Privada no Brasil. Cotidiano e vida privada na América portuguesa. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 📜 Por Roberto Junio.