
Segundo Bruno Miranda, a grossa parte das fileiras militares da WIC a atuarem no Brasil não era composta por uma massa de ignorantes e desinformados, como acreditou boa parte da historiográfia até então. Eram homens que, apesar da idade, traziam em suas bagagens experiências no mundo dos ofícios, das letras e das artes. Além dos diários legado por parte desses homens, desenhos e pinturas realizadas in loco tornaram seus documentos fontes indispensáveis para a compreensão da percepção neerlandesa sobre o espaço americano. Segundo Oliveira: 📜 “Dentre os vários militares da WIC em Pernambuco, alguns possuíam habilidades artísticas e foram aproveitados como assistentes na comitiva de Nassau, enquanto outros vieram apenas como assistentes de Eckhout e Post. Dentre esses se destacam Abraham Willaerts, Caspar Schmalkalden e Gillis Peeters. Willaerts, holandês nascido em Utrecht em 1603, era pintor e iniciou sua formação com o próprio pai, ainda na infância, prosseguindo os estudos com Simon Vouet, e Paris, e Jan van Bijlert, na Holanda; chegou ao Brasil em 1637, junto com a comitiva de Nassau, mas no mesmo ano foi enviado pela WIC a Angola em missão militar; após o retorno aos Países Baixos, estabeleceu-se em sua cidade natal, onde morreu aos 66 anos. Pouco se sabe sobre Schmalkalden, um alemão nascido em Gotha no final do século XVI e que viveu até meados da década de 1650; era desenhista e aquarelista, mas serviu à WIC como soldado, tendo chegado ao Brasil em 1642, morando em Recife por três anos, onde iniciou um diário com anotações e desenhos aquarelados em que retratou tipos humanos, animais, cidades e mapas, alguns dos quais utilizados no livro Theatrum Rerum Naturalium Brasiliae; em 1643 viajou para o Chile na expedição chefiada por Hendrick Brouwer e Elias Herckmans; depois de sua estada no Brasil, viajou para o Oriente, onde foi soldado da Companhia das Índias Orientais entre 1646 e 1652. O pintor belga Peeters, nascido em Antuérpia em 1612, veio ao Brasil provavelmente fazendo parte da comitiva de Nassau, mas permaneceu no país somente até o ano seguinte; em Recife realizou quadros sobre temas brasileiros, executou esboços e fez anotações para obras que foram, depois, concretizadas na Europa; possivelmente realizou uma segunda viagem ao Brasil em 1640; posteriormente estabeleceu-se em Antuérpia, onde morreu aos 41 anos.” (P.2-3) 📜 OLIVEIRA, Carla Mary S. Frans Post e as imagens do Brasil Holandês: o olhar que registra ou o traço que interpreta?. Veracruz (MEX): Centro Universitário Hispano-Mexicano, 2005. 📜 Imagem: “Soldados se armando” - Jacob Duck (1635).