
Homilia solenidade da ascensão do Senhor Na segunda leitura da missa de hoje, ouvimos: “Quando subiu ao alto, levou consigo prisioneiros e distribuiu dons aos homens. Mas o que significa dizer 'ele subiu', senão que antes ele havia descido a esta terra?” Neste domingo, contemplamos de forma gloriosa aquele que subiu aos céus, mas que também desceu para formar o seu corpo, que é a Igreja. Ele é o mesmo que prometeu o dom do Espírito Santo e o mesmo que prometeu retornar. Como Igreja, precisamos nos perguntar se permanecemos firmes na vocação que recebemos. Somos nós, hoje, o corpo de Cristo, chamados a esperar a vinda do Senhor de modo concreto: com humildade, docilidade e magnanimidade, sendo um suporte aos irmãos no amor e conservando no coração a unidade e a paz. Essas virtudes são sinais que a humanidade de nosso tempo necessita para crer em Jesus. Talvez a mais desafiadora para os dias de hoje seja a unidade. Que tipo de evangelho comunicamos quando vivemos divididos? A divisão revela uma ferida profunda, uma falta de amor e uma ausência de diálogo com o diferente. No fundo, é como se uma criança dentro de nós estivesse gritando por reconhecimento e atenção. A primeira cura para a divisão vem da promessa que Jesus nos faz no evangelho: “Quem crer e for batizado será salvo.” Na comunidade cristã, não existe distinção de raça, nação ou pensamento; o que nos une é o batismo e a mesma fé na salvação que vem de Cristo. Nesse contexto, não importa se somos Apóstolos, profetas, evangelistas ou missionários, ou se temos esse ou aquele título. O que importa é a salvação e a fé acolhidas como um dom, um presente. A diversidade de dons e ministérios na comunidade é a sua grande riqueza. Meu irmão não precisa ser como eu, nem pensar como eu; ele precisa, sim, estar unido ao Corpo de Cristo. O Papa Francisco nos ensina sobre a unidade: “Na Igreja, há uma variedade, uma diversidade de tarefas e funções; não há uma plena uniformidade, mas sim a riqueza dos dons distribuídos pelo Espírito Santo. Porém, há comunhão e unidade: todos estão conectados uns aos outros e todos contribuem para formar um único corpo vital, profundamente ligado a Cristo. Lembremos bem: ser parte da Igreja significa estar unido a Cristo e receber Dele a vida divina que nos faz viver como cristãos. Significa também permanecer unido ao Papa e aos Bispos, que são instrumentos de unidade e comunhão, e aprender a superar personalismos e divisões, compreender melhor uns aos outros, harmonizar as variedades e riquezas de cada um; em uma palavra, querer sempre o bem para Deus e para as pessoas que estão ao nosso lado, seja na família, na paróquia ou nas associações." Nossa missão como cristãos não é ficar parados olhando para os céus, mas sim ir pelo mundo pregar o evangelho, curar os doentes, libertar os prisioneiros, e semear o amor que recebemos, sempre na unidade. Peçamos que a unidade seja o impulso da missão da Igreja no mundo.