
Solenidade da Santíssima Trindade 2024 Deus se revela como uma família que vive em profundo amor entre si e se abre à humanidade para que, pela força da ressurreição de Jesus, possamos chamar a Deus de Abba, Pai. Na oração da coleta, encontramos duas tonalidades essenciais da solenidade que celebramos: reconhecer a glória do mistério da Trindade e adorar a Unidade na sua onipotência. Entremos nesses dois movimentos que a liturgia nos estimula: reconhecimento e adoração. Moisés, na primeira leitura, usa da palavra para revigorar o ânimo dos israelitas que estão escravizados na Babilônia. É interessante a pedagogia de Moisés: não basta viver o hoje da história quando se vive tribulações; é preciso ler a realidade a partir de uma totalidade de tempo – meditar sobre os feitos de Deus no passado, viver segundo Seus mandamentos no presente e confiar na promessa de um futuro de vida perene. No coração do texto, o reconhecimento central do homem de fé deve vir a partir da meditação profunda de que “o Senhor é o único Deus, no alto dos céus e cá embaixo na terra, e não há outro.” O ensinamento que tiramos desse texto nos conduz a considerar que, se reconhecemos o Senhorio do Deus único e verdadeiro sobre nossas vidas, não há espaço para o desespero. Em meio aos sofrimentos, é fácil nos deixarmos seduzir pelos falsos deuses do nosso tempo, ideologias, materialismo, prazeres momentâneos. Por isso, é importante atentar para quem é nosso Senhor. Deus não é um conceito, uma força ou uma energia, mas um ser pessoal: “o Senhor teu Deus” – um Pai que acompanha Seus filhos mesmo na dor, que nos deu Seu Espírito a fim de que clamemos Abba, Pai, e pela obra do Filho na Sua paixão e ressurreição recebemos a oportunidade de sermos herdeiros de Seu reino. No evangelho, Jesus é o novo Moisés que se apresenta no Monte. Os discípulos que O reconhecem se prostram em adoração. O batismo nos dá um coração adorador. Como isso faz falta em nosso tempo! Adoração quase soa para os nossos ouvidos como submissão cega, no entanto, é um gesto de reconhecimento consciente. O batismo nos dá a consciência interior de uma presença divina em nós: “eu estou sempre convosco até o fim dos tempos”. A Trindade não é uma teoria abstrata; é antes uma concreta presença amorosa de um Deus pessoal que vive em comunhão entre Si e nos atrai a uma vida de comunhão com Ele e com os irmãos. Toda vez que recordamos o nosso batismo, seja na eucaristia ou ao longo do dia com um simples gesto de traçar a cruz sobre nosso corpo, realizamos uma obra de adoração. Entramos no mistério da Trindade, o assumimos como nosso e nos dispomos a viver como ensina o Senhor. Adorar, então, é mais que um gesto exterior; é uma atitude interior de entrega das intenções, dos projetos, das dores, das alegrias e da existência total a Deus. Adorar, então, é se comprometer com a vida trinitária, formar uma vida de comunhão e me empenhar, como batizado, a difundir o evangelho. Que a glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo seja difundida por toda a terra que geme e espera a plena realização de suas promessas. Que nossa adoração possa conduzir outros corações a esperar no amor de nosso Abba, Pai.