
O conceito de estrutura social, compreendido como o conjunto de princípios que explicam os comportamentos e as instituições sociais, reduz a importância dos indivíduos nos processos de transformação da sociedade. Apesar das explicações que demonstram o modo pelo qual uma consciência coletiva orienta maneiras de ser e de agir (comportamentos masculinos e femininos, a língua falada, a arquitetura e organização das cidades etc.), outra posição teórica e metodológica enfatizou que o único elemento da sociedade que pode ser observado são os indivíduos, suas ações e a compreensão que eles próprios têm de suas ações. Cabe à Sociologia descrever esses comportamentos e compreensões e interpretá-los. As escolhas que orientam as ações individuais são motivadas por alguns fatores que podem ser classificados pela Sociologia. Quando um cidadão obedece à ordem de um policial, quando um pai se sacrifica em defesa de um filho ou quando um fiel jejua por orientação religiosa, é possível encontrar princípios racionais, afetivos e tradicionais na origem dessas ações. Quem propôs e desenvolveu essa perspectiva de análise foi o sociólogo Max Weber. Segundo ele, a ação dos indivíduos em sua interação com a sociedade é a unidade mínima da análise sociológica. Na concepção de Weber, a sociedade existe porque é vivenciada e compreendida por indivíduos racionais que tomam suas decisões conforme sua história e cultura. Uma vez que só é possível observar esses indivíduos, ou a ação consciente deles, Weber elege como objeto de estudo da Sociologia o sentido da ação social. As normas sociais – que Durkheim entendia como fatos sociais –, de acordo com Weber, existem somente por causa do sentido atribuído a elas pelos indivíduos, isto é, não têm valor em si mesmas. A sociedade é moldada pelo conjunto de decisões de muitos indivíduos, que reconhecem essas regras, atribuem-lhes sentido e manifestam as razões para obedecer a elas de forma consciente. No entanto, nem todas as decisões tomadas por vários indivíduos ao mesmo tempo são exemplos de ação social. Para serem vistas como unidade mínima de análise da Sociologia, é necessário que tenham relação com aquelas tomadas pelos demais indivíduos. O que isso quer dizer? Considere uma rua repleta de pedestres, em que todos abrem seus guarda-chuvas ao começar a chover. Essa decisão não é uma ação social; ao abrir seu próprio guarda-chuva, o indivíduo não leva em consideração a decisão dos outros (por mais que a ação pareça coletiva e coordenada para quem a observa, por exemplo, do alto de um prédio). Da mesma maneira, a colisão entre dois ciclistas não é um acontecimento diferente de um fenômeno natural e não pode ser considerada uma ação social. No entanto, são tidas como ações sociais as tentativas dos ciclistas de desviar um do outro a fim de evitar uma colisão ou de começar uma briga, assim como as de estabelecer uma conversa amigável ou se esforçar para prestar socorro após a colisão, já que a ação de um indivíduo só tem sentido se estiver relacionada à ação (ou possibilidade de ação) de outro.