
Quando a sociedade é comparada a uma máquina ou a um organismo vivo, quando os indivíduos são tomados como “peças” ou “órgãos” que contribuem para o funcionamento de algo maior, surge outro tema importante nessa perspectiva sociológica: a questão da ordem e da função. A sociedade seria dotada de uma ordem que direciona as partes de acordo com funções específicas que concorrem para sua manutenção, sua reprodução e seu aperfeiçoamento; ou seja, existiria uma ordem na disposição das peças para que a máquina realizasse sua função. Esse funcionamento é obtido somente quando os elementos que constituem a sociedade estão unidos, coesos. É por isso que a questão da ordem é compreendida com base no conceito de coesão social; quando cada elemento atua de modo que os demais também trabalhem adequadamente e todos juntos constituam um organismo maior, dizemos que são solidários uns aos outros e ao todo. Assim, o tema da ordem social deve ser compreendido tendo por base a ideia de coesão social, que resulta da ação solidária das partes, a solidariedade social. Instituições como a religião, a escola e a família, por exemplo, são avaliadas por Durkheim como elementos fundamentais na construção da solidariedade social, enquanto as manifestações de insatisfação de trabalhadores, as revoltas e as taxas elevadas de criminalidade são consideradas desvios dos padrões que estabelecem uma vida social saudável; um processo de interrupção da solidariedade a que ele chamou anomia (nómos é uma palavra grega que significa “norma, regra, lei”; logo, anomia é a ausência de regras). A anomia é um exemplo extremo de patologia social (o patológico opõe-se ao normal, no campo da Medicina). De acordo com Durkheim, a anomia acontece quando os elementos que constituem a sociedade deixam de funcionar para cumprir seu objetivo existencial; assim, caracteriza-se como uma patologia, uma disfunção social.