
O objeto de estudo da Sociologia, no entanto, nem sempre é definido sobre um dos polos da relação entre indivíduo e sociedade. Se a estrutura social se manifesta individualmente, e se a ação social consciente dos indivíduos conforma determinada organização social, também é possível compreender a sociedade como uma totalidade, constituída pelas ações individuais limitadas por condições históricas específicas. Segundo essa perspectiva, os seres humanos só podem ser pensados com relação ao que produzem materialmente, e a sociedade, compreendida como resultado da ação recíproca entre os indivíduos. Por exemplo, na Antiguidade, quem vivesse em uma comunidade nômade caçadora e coletora seria incapaz de fazer escolhas que não fossem determinadas por sua condição material de existência. Isso quer dizer que esse indivíduo não poderia, por exemplo, reivindicar uma casa para si ou a propriedade do que caçasse ou coletasse, já que em sua comunidade essas possibilidades não se apresentariam. Quem definiu as bases para a compreensão do objeto da Sociologia tendo em mente os aspectos materiais e históricos que ligam o indivíduo à sociedade foi o filósofo Karl Marx. Segundo ele, “os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem e, sim, limitados pelas condições materiais e históricas de sua existência”. Por isso, não é possível afirmar que os indivíduos têm primazia sobre a sociedade ou o contrário, pois sua ação na vida social, assim como a estrutura na qual estão inseridos, é resultado de determinada situação histórico-social. Do mesmo modo que o nômade não poderia optar por uma residência fixa, o trabalhador moderno também não é livre para escolher suas condições de trabalho (quantas horas deve trabalhar ou o valor do seu salário). Tanto as horas de trabalho quanto o salário dependem das condições materiais de determinado momento histórico. Nessa perspectiva, a base dessa sociedade é definida pelo modo como é organizada a produção das condições materiais de existência, ou seja, quem planta o alimento, quem constrói as casas, quem fabrica as roupas. Isso não quer dizer que a sociedade também não seja constituída por práticas culturais e políticas, como a religião, as artes e a organização dos governos. No entanto, tais manifestações se constituem a partir da base material que organiza a vida econômica. Analisando a organização da produção nas sociedades modernas capitalistas na Europa do século XIX, Marx chamou a atenção para o fato de que a posição social dos indivíduos estava definida por sua relação com os meios de produção. O fato de serem proprietários desses meios (donos das terras, fábricas, máquinas) ou meros trabalhadores seria o elemento fundamental para determinar a divisão da sociedade em grupos com interesses antagônicos, as classes sociais.