![[Épice Talks] Eduarda Dias: Vadio, Baga e a nova identidade da Bairrada #EP04](https://images.podster.com.br/shared/e3b66e607b5c15977e03/512.webp)
O que acontece quando uma casta conhecida por ser difícil e rústica encontra produtores dispostos a questionar essa história? No novo Épice Talks, recebemos Eduarda Dias, pernambucana e responsável pela gestão, área comercial e administrativa da Vadio Wines, projeto familiar construído ao lado do enólogo Luís Patrão na Bairrada, em Portugal. Eduarda cresceu cercada pelo universo do vinho e das marcas em Pernambuco e levou essa bagagem para um projeto que hoje representa uma leitura muito própria da região. A conversa percorre a história da Vadio desde 2005, quando tudo começou numa garagem, com uma vinha familiar de meio hectare, até chegar aos atuais 10 hectares de produção totalmente controlada pela família. No centro dessa trajetória está a Baga. Eduarda explica por que considera injusta a descrição da casta apenas como tânica, ácida e rústica e mostra como, quando bem trabalhada na vinha, ela pode revelar delicadeza, fruta vermelha, mineralidade e enorme capacidade de envelhecimento. Falamos também do Perpetuum, espumante criado a partir de uma reserva iniciada em 2007 e que evoluiu para um sistema de solera; do programa de library release; da viticultura regenerativa; das mudanças climáticas e da busca por consistência mesmo em anos difíceis. O episódio também entra no lado empresarial da história. Eduarda conta como, no início, era mais fácil vender Baga fora de Portugal do que dentro do próprio país, como Brasil, Inglaterra e Austrália ajudaram na construção da Vadio e por que a marca decidiu parar nos 10 hectares, sem perseguir volume a qualquer custo. A conversa passa ainda pelo Baga Friends, pelo Dia Internacional da Baga, pelo fortalecimento coletivo da Bairrada e pela nova geração de pequenos produtores da região. É um episódio sobre vinho, mas também sobre origem, família, paciência, posicionamento e a coragem de preservar aquilo que torna um lugar único. Destaques 🍇 Baga além da fama Durante muito tempo, a Baga foi associada a vinhos duros, tânicos e rústicos. Eduarda explica que parte dessa reputação nasceu de uma viticultura voltada para produtividade e de uvas que nem sempre chegavam à maturação ideal. Na Vadio, o trabalho começa na vinha para revelar uma Baga mais delicada, fresca, mineral e fiel à Bairrada. 🏡 De uma garagem a 10 hectares A Vadio nasceu com uma pequena vinha da família de Luís Patrão e poucas barricas. Foram quase 20 anos para reunir os 10 hectares atuais, numa região marcada por minifúndios e parcelas fragmentadas. Hoje, 100% das uvas são próprias e a decisão é manter a escala pequena para preservar controle e identidade. 🥂 Perpetuum e o tempo como ingrediente O Perpetuum começou em 2007, quando Luís buscava mais complexidade para os espumantes da região. O projeto evoluiu para uma reserva perpétua que funciona como uma solera, combinando vinhos de diferentes anos e criando continuidade entre as safras. ⏳ Vinhos feitos para envelhecer Desde o início, a Vadio guarda cerca de 10% da produção para o programa de library release. Os vinhos retornam ao mercado depois de pelo menos dez anos, mostrando na prática como a Baga se transforma com o tempo. No Grande Vadio, essa espera pode chegar a 20 anos. 🌱 Sustentabilidade com propósito A Vadio trabalha com viticultura regenerativa e incorpora práticas biodinâmicas, mas Eduarda reforça que sustentabilidade não pode ser apenas um rótulo. O objetivo é ter vinhas mais equilibradas, resistentes e capazes de entregar qualidade com consistência. 🤝 Baga Friends e força coletiva A Vadio integra o Baga Friends, grupo de oito produtores que trabalha pela valorização da Baga e da Bairrada. Para Eduarda, fortalecer outros produtores da região aumenta a presença e a relevância da Bairrada no mundo. 🎉 Dia Internacional da Baga No primeiro sábado de maio, as adegas do grupo abrem as portas para uma celebração que mistura vinho, gastronomia e comunidade. O evento reúne centenas de pessoas e parte do valor arrecadado retorna para instituições locais.