![[SommCast] Matthieu Péluchon - de Bordeaux ao Brasil, os bastidores de uma vida no mercado do vinho #EP180](https://images.podster.com.br/shared/023b0009776727ff5d47/512.webp)
Nascer em Bordeaux muda a forma de enxergar o vinho? Para Matthieu Péluchon, fundador e curador da Rouge Brasil, o vinho nunca foi exatamente um objeto de estudo: era parte da vida. Das colheitas em família às garrafas sem rótulo na casa dos avós, ele cresceu em uma região onde praticamente todo mundo tem alguma ligação com a bebida. Mas foi do outro lado do Atlântico, ao chegar ao Brasil aos 23 anos, que começou a enxergar Bordeaux, o mercado e o próprio vinho por uma perspectiva completamente diferente. No episódio, Matthieu atravessa quase três décadas de transformação do vinho no Brasil. Relembra os tempos da Expand, que ajudou a formar profissionais e consumidores, a experiência na Terroir e a missão de desenvolver a World Wine dentro da La Pastina, além dos encontros e histórias que marcaram essa trajetória. A conversa ainda mergulha em Bordeaux: a crise dos anos 1970, o impacto de Robert Parker e da histórica safra de 1982, a explosão dos preços e a mudança no estilo dos vinhos. E chega ao presente, em que ele vê oportunidades justamente na busca por vinhos mais elegantes, prontos para beber e com boa relação entre qualidade e preço. Depois de sair da World Wine, Matthieu decidiu transformar experiência, relacionamento e conhecimento de mercado em um negócio próprio: nasceu a Rouge Brasil, com foco na venda ao consumidor, seleção de vinhos e liberdade para encontrar oportunidades fora do óbvio. É daí que vem uma das grandes provocações do papo: vender vinho caro pode ser fácil; difícil é garimpar algo realmente bom pelo preço certo. Entre curadoria, importação, empreendedorismo e as novas formas de levar o vinho diretamente ao consumidor, este episódio é também uma aula sobre como o mercado brasileiro amadureceu — e sobre para onde ele pode caminhar. Destaques 🍷 Bordeaux antes do luxo Matthieu relembra uma Bordeaux muito diferente da imagem atual: vinhos hoje praticamente inacessíveis já fizeram parte de encontros familiares sem o status e os preços que carregam atualmente. O episódio mostra como reputação, crítica e mercado podem transformar completamente o valor de uma região. 🌎 O Brasil visto por um francês Ao chegar em 1998, Matthieu encontrou um mercado ainda em formação, mas também consumidores curiosos e uma preocupação com serviço, taças e temperatura que o surpreendeu. A Expand se tornou sua porta de entrada para entender o país e participar da formação de profissionais do setor. 🚀 A construção do mercado brasileiro Expand, Terroir, World Wine e La Pastina aparecem não apenas como empresas, mas como capítulos de uma transformação. Matthieu acompanhou de perto a profissionalização do setor, a chegada de grandes marcas e a formação de uma nova geração de vendedores, sommeliers e consumidores. 🔎 Curadoria é saber garimpar Na Rouge Brasil, a lógica não é simplesmente colocar mais rótulos no mercado. Matthieu defende seleção, procedência, safra, preço competitivo e relacionamento. Para ele, encontrar um grande vinho acessível pode exigir muito mais trabalho do que vender uma garrafa famosa e cara. 🔄 O futuro pode ter menos intermediários Uma das mudanças apontadas no episódio é a aproximação entre produtores e consumidores. Em um setor historicamente carregado de intermediários, Matthieu acredita que grandes vinhos podem chegar ao público por caminhos mais curtos, reduzindo custos e mudando o papel tradicional das importadoras. 🤝 No fim, vinho é sobre pessoas Produtores, vendedores, clientes, amigos e encontros inesperados atravessam toda a história de Matthieu. Mais do que garrafas ou pontuações, sua trajetória reforça uma ideia que aparece várias vezes na conversa: o vinho cria conexões e abre portas para pessoas que talvez nunca se encontrassem de outra forma.