
Neste capítulo, tentamos fazer um breve paralelo do Navio Negreiro, como metáfora para a gentrificação, espaços de tortura, falta de circulação social, esmagamento, esgarçamento e crimes. Entre 1823 e 1825, um navio que traficava seres humanos veio de Luanda, com o nome Regeneradora, nas primeiras viagens desembarcou em Pernambuco, depois virou rota entre Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina, mais de mil pessoas foram arrancadas de suas casas, em uma rota de crueldade. Numa segunda análise, como a Cidade de São Paulo é hostil, com trens e ônibus lotados, as periferias como um não- lugar, a sufocação cotidiana que oprime seus cidadãos, a exploração e a superexploração mediado pelo trabalho uberizado, nessa metáfora, se os escravizados foram xs negrxs sequestrados de várias partes da África, em São Paulo, são os jovens uberizados representados e reproduzindo o Barco de Portugal. O Estudante de doutorado Bruno Reikdal Lima nos brinda com uma aula prática, fala sobre o barco, o saque das riquezas dos países africanos e da américa latina. De certa forma, o navio é uma metáfora que nos ajuda a compreender a dinâmica da atual gentrificação, a vida precária ou sem valor, os meios de transportes coletivo que normalmente conduz dos centros às periferias dezenas de pessoas amontoadas. A trajetória histórica do navio, não se desfaz do presente, pelo contrário, remonta ao passado quando a vida era sequestrada para fins comerciais e monetários, e ao presente, onde parte da juventude é esgarçada nas caravelas contemporâneas de massificação.