
Neste capítulo, pretendemos abordar, reinterrogar e problematizar a relação histórica da punição contra os corpos escravizados, que foram empurrados para os calabouços, que não chegava ser uma prisão, mas um armazém, escuro, úmido, lugar profano e execrável para os “rebeldes”. Os senhores europeus brancos que além de possuírem o poder, tinham as estruturas sob seus comandos, o corpo, as estruturas legais do judiciário, o comércio e a religião. A negação da justiça, os castigos, as correntes, as casas de engorda que tratavam seres humanos escravizados na categoria de coisa, e a relação promíscua com o atual encarceramento, que tem a juventude negra como uma massa carcerária que não para de crescer. No Brasil, o encarceramento foi retroalimentado pelo desejo de embranquecer a cidade e exportar para o limbo a população negra. Os cenários na história revelam isso, os locais de massacre público como os pelourinhos, o controle sobre os indivíduos, e o reflexo da superpopulação negra, que lotam os presídios. Este podcast nos colocou uma dura tarefa de sintetizar e buscar conexões entre o texto acadêmico e a história, não apenas como acontecimento passado, mas como triste rotina que se repete, tragédia e farsa ao mesmo tempo. E foi possível, graças a participação do historiador social, ativista dos direitos humanos, irmão franciscano, negro e viajante, Alex Sandro Bastos Ferreira. O debate perpassa pela sociedade brasileira que se constituiu na bárbara colonização e escravização de milhões de negrxs.