
A primeira volta das eleições no Brasil acontece no dia 4 de Outubro e tanto Lula da Silva como Flávio Bolsonaro podem ter um resultado entre 35 a 40% dos votos, colocando-os numa situação de empate técnico que se pode arrastar até à segunda volta a 25 de Outubro. Lula da Silva, com a promessa da proibição das apostas desportivas tenta atrair o votos das mulheres e dos evangélicos indecisos. O Brasil vai a votos para a primeira volta das eleições presidenciais já no domingo. Como principais candidatos apresenta-se Inácio Lula da Silva, que se candidata ao seu quarto mandato à frente do país, e Flávio Bolsonaro, filho mais velho de Jair Bolsonaro e escolhido pelo ex-Presidente que está a cumprir uma pena de 27 anos em prisão domiciliária por ter tentado impedir a tomada de posse de Lula da Silva em 2022. Os dois estão tecnicamente empatados nas sondagens e prevê-se uma segunda volta no dia 25 de outubro. Nesta última semana, os candidatos estão a tentar seduzir eleitores ainda indecisos, como explica Filipe Mauro, professor de Civilização Brasileira na Universidade de La Rochelle, em França. "Há mais ou menos 7% a 6% de indecisos, que é o volume historicamente de indecisos numa eleição presidencial brasileira. A componente sociológicoa é que é interessante. São, a maior parte das vezes, mulheres e são também jovens. Esse eleitorado é particularmente difícil de migrar para um voto bolsonarista. É lá que a campanha de Lula tenta ainda extrair alguns votos que vão ser decisivos. Por isso é que nessa última semana foi anunciado, por exemplo, a proibição dos sites de apostas desportivas. Eles são um público particularmente sensível a esse tipo de medida, já que nós temos um volume inédito de homens e sobretudo, homens de uma classe social inferior, que vivem uma situação muito grande de endividamento devido às apostas", explicou o académico. Nas sondagens, apesar de haver mais de 10 candidatos a esta eleição são Lula da Silva e Flávio Bolsonaro que parecem prontos a disputar uma segunda volta, situando-se os dois entre 35% a 40% dos votos. Para Filipe Mauro, Lula da Silva pôs em marcha nos últimos quatro anos uma "reforma tributária absolutamente inédita", mas o seu Governo mostrou-se "analógico" face a uma extrema-direita bolsonarista que chega ao eleitor directamente via o WhatsApp e outras redes sociais. Quanto às promessas de Flávio Bolsonaro, em caso de vitória, podem abalar as bases do sistema político e da justiça no Brasil. "Como programa de governo [Flávio Bolsonaro], apresenta uma ameaça às instituições brasileiras, na medida em que prometeu subir a rampa do Palácio do Planalto acompanhado de seu pai, que hoje está preso e condenado por tentativa de golpe de Estado. Tem uma visão económica ultraliberal. É o que manifesta, em todo o caso, a sua equipa económica, muito simpatizante do que se vê na Argentina de Milei e também com uma relação muito próxima ao actual governo americano a Donald Trump. Uma posição de alinhamento automático, inclusive no que diz respeito à gestão do subsolo brasileiro, muito rico em terras raras e que vem sido cobiçado por mineradoras americanas e, enfim, todo caso, por sectores importantes da economia americana", concluiu o professores e investigador.