
Criticando Filme apresenta a crítica do filme "Tempo" (Old) de M. Night Shyalamalan. Previsão do tempo de hoje: Praia paradisíaca e isolada, com muito sol, poucas nuvens, cercada de montanhas de pedras. Misteriosa caverna e envelhecimento precoce. Tempo bom para aproveitar um bom suspense do mesmo diretor de O Sexto Sentido, Fragmentado, entre outros. Bem-vindo ao Criticando Filme, podcast de críticas cinematográficas de obras-primas e pérolas não tão boas da sétima arte, com leve pitada de humor. No episódio de hoje, a crítica do filme TEMPO (ou OLD), de 2021. Essa crítica evita dar spoilers, mas para evitar estragar surpresas, talvez seja melhor assistir ao filme e só depois ouvir. O filme é adaptação da premissa da HQ “Castelo de Areia”, que mostra a viagem da família Cappa à um resort luxuoso. Ao longo da viagem, o concierge do hotel, oferece ao casal, seus filhos e a outros hóspedes um passeio VIP, em uma praia isolada sensacionalmente linda – tanto quanto misteriosa. Acontece que ao longo de minutos, as crianças do passeio começam a crescer de forma absurdamente rápida, despertando a atenção dos demais adultos, que também sofrem ação do tempo, envelhecendo aceleradamente. Tão estranho quanto, é que a praia de vista paradisíaca parece não ter saída, já que sempre que alguém tenta retornar, sofre desmaio e volta para a praia. Revolto em meio à crises de relacionamentos, discussões, cadáver flutuando – não é spoiler, isso está no trailer – e doenças infortunas, o roteiro acha meios para mostrar um olhar sobre como o tempo pode passar rapidamente e talvez por angústia ou medo, pressionar o espectador ou espectadora a sentir que há ali uma sensação de perda – seja de jovialidade ou de pessoas queridas. E nesse ponto o suspense funciona bem, porque há um suspense psicológico agregado à trama. Em quase duas horas de filme, as tentativas de fuga da praia são na verdade a frustrada luta contra o tempo em se parar o relógio cronológico da vida e conseguir aproveitar cada minuto, principalmente em um local, onde se envelhece rapidamente. Inclusive sobre isso, as maquiagens dos atores e atrizes – especialmente os do casal Cappa - dão um show, pois fazem realmente acreditar que aquele envelhecimento aconteceu. Bem de leve, há também a questão da beleza e jovialidade. Em como ser e permanecer sexy pelo maior tempo possível, evitando rugas, marcas de expressão e manter o corpo “dito como o ideal”, lutando contra o relógio da vida. Dividindo opiniões de público e crítica, “Tempo” é um suspense sobre dúvidas existenciais onde o importante é que não se perca justamente tempo. As atuações estão geniais, principalmente pelo elenco adulto, incluindo as pontas do próprio diretor atuando. Porém, o roteiro de Shyamalan insiste em entregar várias respostas e encontrar um culpado por toda a situação – o que na verdade, poderia muito bem ter tomado outros rumos. A sensação de cumprimento à jornada do herói também desfavorece muito o que poderia ser um enredo redondinho. É curioso que o público sequer tenha tempo – sem trocadilhos – justamente para conseguir digerir com paciência à trama e não ser bombardeado a cada momento com novas cenas e mais ações dos personagens. Enquanto filme, a entrega é ótima, mas a experiência poderia ser mais imersiva e potente, se evitasse certos erros em algumas construções de roteiro. Por: Gui Reali