
Você aprende o idioma. Entende os códigos. Muda alguns hábitos. Constrói relações. Talvez até tente eliminar o sotaque. E, por fora, parece perfeitamente adaptado. Mas existe uma pergunta que pode aparecer silenciosamente: “Para ser aceito aqui, precisei deixar alguma parte minha do lado de fora?” No segundo episódio da Temporada 5 do Em Trânsito, seguimos explorando o Modelo Bidimensional de Aculturação de John W. Berry e chegamos à assimilação, uma das formas possíveis de relação entre a cultura de origem e a sociedade onde se vive. Mas este episódio não é sobre julgar quem mudou depois de morar fora. Mudar faz parte da adaptação. A questão é perceber a diferença entre aquilo que você transformou porque o novo ampliou sua vida e aquilo que começou a esconder porque aprendeu que seria mais fácil pertencer se parecesse menos estrangeiro. O português que você evita falar em público. O sotaque que passa a incomodar. Os brasileiros dos quais tenta se diferenciar. Os hábitos que começam a provocar vergonha. As partes da própria história que ficam cada vez mais silenciosas. Porque existe uma diferença entre pensar: “Isso já não faz sentido para mim.” e sentir: “Eu não posso ser assim se quiser ser aceito aqui.” 🎧 Neste episódio, conversamos sobre assimilação, identidade, vergonha cultural, sotaque, pertencimento e o preço psicológico que algumas pessoas podem pagar para serem aceitas em uma nova cultura. E fica uma pergunta para levar com você: Quanto da pessoa que você se tornou foi escolha e quanto foi o preço que você acreditou precisar pagar para pertencer? 🎙️ Em Trânsito | Saúde mental para a vida nômade Temporada 5 • Entre dois mundos Pertencer não é escolher um lado. É construir espaço para tudo aquilo que você se tornou.