
Quando você começa a viver em outra cultura, pode surgir uma sensação silenciosa: para pertencer aqui, talvez eu precise deixar um pouco de quem eu era para trás. Mas será que adaptar-se significa tornar-se cada vez menos brasileiro e cada vez mais parecido com o país onde você vive? Neste primeiro episódio da Temporada 5 do Em Trânsito, começamos uma nova conversa sobre identidade, cultura e pertencimento a partir do Modelo Bidimensional de Aculturação de John W. Berry, uma das principais referências da Psicologia Intercultural. Berry nos ajuda a pensar a adaptação a partir de duas questões que podem parecer simples, mas dizem muito sobre a experiência de viver entre culturas: Quanto é importante para mim preservar minha cultura de origem? Quanto eu quero me relacionar e participar da cultura onde vivo agora? Da relação entre essas duas dimensões surgem diferentes formas de aculturação: integração, assimilação, separação e marginalização. E são essas experiências que vamos explorar ao longo dos oito episódios desta temporada. Neste primeiro encontro, porém, quero começar antes dos conceitos. Quero falar sobre aquela tensão que aparece quando você percebe que está mudando. Quando alguns hábitos deixam de fazer sentido. Quando novas referências passam a fazer parte de você. Quando você gosta de coisas que antes estranhava. Quando volta ao Brasil e percebe que também já não é exatamente a pessoa que partiu. Talvez isso não signifique que você esteja perdendo suas raízes. Talvez sua identidade esteja aprendendo a comportar mais de um mundo. 🎧 T5 | EP. 1 • Você não precisa escolher entre quem você era e quem está se tornando “Talvez adaptar-se não seja escolher entre dois mundos. Talvez seja descobrir como os dois podem existir em você.” 🎙️ Em Trânsito — Saúde mental para a vida nômade Pertencer não é escolher um lado. É construir espaço para tudo aquilo que você se tornou.