
A Recessão Democrática assusta o século XXI. Países que fizeram sua transição para a democracia na terceira onda, nos anos 70-80, dão sinais de graves reversões para regimes autoritários. Mesmo democracias seculares como as dos EUA e da França experimentam o gosto amargo do autoritarismo, com Trump e Le Pen. A América Latina, com suas vulnerabilidades estruturais: como as desigualdades sociais, o analfabetismo, e a corrupção endêmica por parte das elites políticas e econômicas, sob a proteção de um poder judiciário leniente, é um alvo fácil para líderes populistas autoritários. O Instituto é constituído por ex-governadores, ex-ministros de estado, intelectuais e empresários que entendem ser a democracia um valor universal civilizatório que deve, sistematicamente, ser nutrido e fortalecido. A atuação de todos os que fundam o Instituto já vinha desde 2012, com a Revista Será?, e 2015, com o Movimento Ética e Democracia numa ação de discussão e disseminação de conhecimento sobre democracia, políticas públicas e polarização ideológica. A democracia nos seus primórdios era uma democracia de poucos, e no transcorrer da história foi se ampliando, incorporando novos segmentos sociais e tornando-se universal, porém com mecanismos antiquados e um sistema de representação ultrapassado. É importante lembrar que esta não é a primeira vez que a democracia entra em crise e é ameaçada de ser substituída pelo autoritarismo – como não lembrar do nazismoe do stalinismo? O Instituto compreende que o desafio não é de lutar para conservar algo que está se desfazendo, mas reinventá-lo para assegurar a sua essência – considerar os humanos como iguais e, em consequência, os direitos humanos; atribuir aos indivíduos o poder maior de direção por meio de seus representantes; assegurar a alternância de poder e a participação popular. Neste sentido, o Instituto considera como uma das principais metas, a serem sistematicamente trabalhadas, a busca de igualdade de oportunidades por meio sobretudo da educação de qualidade acessível a todos independente de classe social. Nossas linhas de ação são trilhas a serem seguidas, fundadas em décadas de experiência e aprendizado de vários dos nossos membros, quer seja na gestão pública e privada, quer seja na pesquisa social e na militância política. Entendemos que, embora os conflitos e desafios do dia a dia devam fazer parte da nossa agenda, são nos estudos, seminários e debates com perspectivas de médio e longo prazos que o Instituto materializará suas ações. João Rego – Presidente Instituto de Estudos e Pesquisas para o fortalecimento da Democracia – IEPfD www.iepfd.org