
Homilia do XXVII Domingo do tempo comum A – 2023 Meus irmãos, uma certeza que precisamos carregar conosco é a da eleição do Senhor, como escreve São João: "Eu vos escolhi", disse o Senhor, "para irem e darem fruto, e o vosso fruto permaneça." A vida cristã não é uma filosofia abstrata e conceitual, mas sim atitudes e gestos que configuram um modo de ser no mundo. No entanto, precisamos ter a clareza de que esse modo de vida supera as nossas ações. O Senhor quer sempre transformar a raiz das nossas ações, ou seja, as nossas intenções. Ele quer nos encher de um fogo novo do Espírito, o único capaz de fecundar o Bem que há em nós e gerar a verdade, a nobreza, a pureza, o amor, a honra e as virtudes. Por isso, neste domingo, como povo escolhido, Jesus nos convida a avaliar que tipo de frutos temos produzido no mundo. Ele nos ensina com o profeta Isaías através da metáfora da vinha como símbolo de Israel. A imagem é comovente: a vinha é plantada em terreno propício, recebe proteção através de um muro e de uma torre. A vinha tinha todas as condições necessárias para produzir frutos abundantes. A parábola enfatiza o fato de ser uma vinha que deveria estar no período máximo da sua produção. No entanto, quando vão recolher os frutos, o patrão manda servos que são recebidos pelos agricultores com agressividade, alguns são mortos e, por fim, até o filho do patrão acaba sendo morto com o intuito de receber a herança. Os agricultores não reconhecem o seu lugar na vinha, desprezam a proteção do seu Senhor, decidem não olhar para a escolha do terreno e para os trabalhos que o Senhor teve ao plantar a vinha. Olham apenas para suas vontades e prazeres, esquecem de ver os cuidados do Senhor, dono da vinha. Conosco pode acontecer a mesma coisa, pensando sermos donos do mundo, donos da igreja, donos da verdade, o centro do mundo. Corremos o risco de não darmos atenção à voz do Filho. Por isso, o Senhor pode sim tirar a vinha de nossas mãos e entregá-la a um povo que produza frutos e entregue esses frutos. Para nos convertermos, o Senhor nos pede hoje três coisas simples: primeiro, reconhecer o chamado Dele; segundo, nos fazermos servos simples do seu reino; e terceiro, deixar que Ele nos cultive, trabalhando nossas intenções, através da obediência à sua palavra. Assim fazendo, aprenderemos que não somos donos de nada, somos servidores do Senhor no mundo e que esse tempo que Ele nos ofereceu deve ser aproveitado para amá-Lo e crescer na sua vontade, para que no dia em que nos chamar à eternidade, possamos apresentar a Ele os frutos que permitimos que Ele produzisse através de nós.