
Homilia do quinto domingo do tempo comum – 2024 A liturgia da palavra deste domingo nos recorda que a vida é breve como um sopro. Se considerarmos a vida somente sob este aspecto, ela parece ser um absurdo. No entanto, a esperança que vem do Senhor nos nutre de um sentido novo: o tempo breve da vida é a oportunidade que Deus nos oferece para aceitarmos os seus cuidados e para cuidarmos das pessoas que Ele colocou em nosso caminho. Precisamos de uma cura da esperança. Hoje Jesus se aproxima de nossa humanidade para nos dar esse dom. Uma vida sem rumo, sem finalidade, sem serviço, corre o risco de ser vazia e desperdiçada. A febre que assola nosso tempo e nos faz acamados é o egoísmo. A impressão que temos é que não existe nada mais importante que nosso próprio bem-estar. Impulsionados pela mídia, gastamos energia e tempo para nos enquadrarmos no padrão imposto, importando-se cada vez mais somente conosco mesmo. Com a sogra de Pedro, Jesus faz um movimento contrário: se aproxima de sua dor, não para fazê-la afundar ainda mais nela, mas para fazê-la levantar. Ele a acompanha em seu caminhar, tomando-a pela mão. Faz um pouco de estrada com ela. O texto não diz, mas acredito que Jesus a fez ver a luz do sol, sentir a brisa do vento e trocou algumas palavras com ela. Nesse breve caminhar, Ele ofereceu-lhe esperança, não com discursos retóricos, mas com aquela que Ele mesmo possui, aquela que Ele recebeu do Pai, na oração, na intimidade e na comunhão. A sogra de Pedro encontrou não um discurso, mas a esperança personificada. Daquele momento em diante, ela se pôs a servir. Cuidava daquele que cuidou dela. O amor faz isso conosco, nos faz querer oferecer o que recebemos, nos faz cuidar como fomos cuidados. O texto do evangelho diz que Jesus continuou curando muitos naquela cidade de Simão e de André. Essa multidão hoje somos nós, necessitados da cura do Senhor. Mas não pedimos apenas a cura física e psíquica; precisamos do encontro com a esperança. Esperança que nos faz buscar o Senhor de coração. Esperança que nos faz entregar toda a nossa vida em suas mãos. Esperança que nos arrasta para fora e nos faz cuidar dos irmãos gratuitamente. Amigos, a cruz de Jesus é o sinal da proximidade de Deus com nossa dor. É o sinal de que, na intimidade com o Senhor na oração, na Eucaristia e no serviço, somos curados de nossas feridas. Cura-nos, Senhor, Deus da vida.