
Homilia do XXVI Domingo do tempo comum Neste domingo, Jesus continua a usar a imagem da vinha para se referir ao Reino de Deus. A vinha é uma bela metáfora da Igreja, escolhida pelo Senhor para produzir frutos eternos. Nesta vinha, aqueles que tiveram o privilégio de testemunhar os primeiros frutos da salvação foram o povo de Israel, aqueles que conviveram com Jesus, viram seu modo de perdoar, de curar integralmente as pessoas, ouviram seu ensinamento e presenciaram seus gestos de amor. No entanto, nem mesmo isso os fez converter. E nós, como nos sentimos ao ouvir as palavras do Evangelho? Como respondemos ao chamado para trabalhar na vinha do Senhor? Muitas vezes, não nos engajamos na missão da Igreja porque ficamos observando o comportamento de nossos irmãos. Começamos a avaliar a ação da igreja com base no que as pessoas fazem. Hoje, Jesus nos oferece uma mudança de perspectiva: a salvação chega primeiro àqueles que amaram muito. Mas quem pode amar mais, aquele que foi perdoado muito ou aquele que foi perdoado pouco? Na lógica do Reino, ama mais aquele que foi perdoado muito. Como nos revela a primeira leitura de Ezequiel: Deus acolhe o coração arrependido, perdoa as faltas daqueles que decidem seguir um novo caminho de coração sincero. Nosso Deus acredita no recomeço, no arrependimento. Ele é Senhor que manifesta seu poder por meio da misericórdia e do perdão. Seria maravilhoso se nos libertássemos da prisão do passado, da condenação, do rancor e do desejo de vingança. Quanta leveza a vida teria e como a vinha do Senhor seria frutífera. No entanto, insistimos em focar em nossos pecados e nos pecados de nossos irmãos. Temos dificuldade em dar um passo adiante, em superar o erro e reconhecer o bem que existe em nós e nos irmãos. Deus insiste em enxergar esse bem, acredita que cada erro expressa um vazio, uma falta de amor. No perdão que ama, ele acolhe e possibilita um novo começo, revelando toda a sua grandeza, a única capaz de preencher nossos vazios. Peçamos ao Senhor a graça de ouvir o chamado para trabalhar em sua vinha de misericórdia, mas, acima de tudo, a disponibilidade para fazê-lo conforme o seu coração e não segundo nossos critérios humanos.