
Homilia do terceiro domingo da quaresma Gv 4, 5-42 Jesus é a fonte de água viva que jorra para a vida eterna. A liturgia do tempo da quaresma pode ser comparada a um caminho que somos chamados a percorrer rumo à páscoa. A cada domingo o Senhor nos oferece um lugar de repouso, um lugar de encontro com Ele. Neste caminho progredimos com o sinal das cinzas e com as obras quaresmais que favorecem com que a graça da conversão atue em nossas vidas. Precisamos relembrar que Jesus nos preparou um encontro no deserto com nossas tentações, um encontro na montanha com sua glória e hoje, após a fadiga do meio-dia, um encontro à beira de um poço. Me impressiona esse meio-dia – ou hora sexta em hebraico. Estamos no meio do caminho quaresmal que reflete o meio do caminho da vida. É intrigante pensar que quando começamos um processo qualquer na nossa vida estamos cheios de planos, metas e ideais. Quais eram nossos planos quando começamos a caminhar com Jesus? Podemos pensar também, em um tempo mais próximo, quais eram os meus projetos para essa quaresma? No entanto, o caminho com sua realidade, vai mostrando que nossas ideias eram muito altas. Vão aparecendo, no meio do caminho, ídolos que são propostas seduzentes e que muitas vezes roubam a nossa meta, roubam a nossa energia. Então, no meio do caminho precisamos parar. Jesus dá àquela mulher samaritana a possibilidade de parar e se questionar: qual é a minha sede? Em quais poços tenho buscado a água pra saciar essa minha sede? E depois, quais são meus ídolos, meus maridos? O poço na bíblia é o lugar da vida e dos encontros amorosos. Foi em um poço que Isaac encontrou Rebeca e começou uma estória linda de amor. Os cinco Maridos daquela mulher samaritana são símbolo de um povo que deixa a Palavra de Deus para fabricar os seus ídolos. Ela já teve cinco Maridos e está no sexto matrimonio, número da imperfeição provavelmente seduzida pelo glamour do império Romano. Jesus se oferece como o sétimo Marido, o número da perfeição. Quando nos enamoramos pela sua Palavra, quando deixamos Ele saciar a nossa sede, caem nossos ídolos, vai embora o nosso cansaço porque encontramos um amor que verdadeiramente preenche a vida, que sacia para a eternidade. Por isso precisamos ser sinceros. O nosso cansaço, as nossas murmurações são sintomas de uma vida vivida na idolatria, presos a coisas, a pessoas, a ideias, a nós mesmos. A idolatria é a adoração e o gasto da existência naquilo que não é, e não pode ser o nosso Deus único e verdadeiro. Aquela mulher samaritana foi pouco a pouco conhecendo quem era Jesus. Ele sempre toma a iniciativa de si revelar, de mostrar que é Deus, mas não faz isso de uma hora pra outra. A mulher precisou ver Deus, naquele homem que lhe pediu de beber. Jesus antecipa um dos seus pedidos na cruz – tenho sede. A mulher precisou ver Deus escondido naquelas palavras suaves e ao mesmo tempo fortes, naquele homem cansado pelo sol do meio-dia, naquele olhar que lhe entrava dentro do coração. No meio do caminho temos a impressão comum de que Deus nos abandonou, de que ele deixou de falar, não o sentimos. É verdade, esse deus que construímos nos deixou sim, esse deus falso que achamos ter encontrado, precisa deixar de existir para servimos ao verdadeiro Deus. Onde o encontramos? Tente abrir e obedecer a Palavra da bíblia, tente dar de beber a alguém sedento, cuidar de um doente, tente perdoar quem te ofendeu, tente ir à missa, sair da sua religião isolada e aprenda a ser igreja, deixando as fofocas de sacristia e servindo ao Senhor e terás a alegria de deixar tudo, ser transformado e se tornar pregador do amor que experimentou.