
XXXII domingo do tempo comum – A 2023 Eis o esposo! Ide ao seu encontro! Começo essa meditação com uma pergunta que a liturgia de hoje nos ilumina: do que tenho sede? Em nossa vida cristã precisamos criar o hábito de cultivar a nossa interioridade. É preciso conhecer-nos por dentro, entrar em nossos desejos, em nossos vazios, admitir e nomear a nossa sede para reconhecermos o que estamos buscando para completar a nossa existência. A liturgia de hoje nos ajuda a perceber que todo nosso vazio existencial corresponde em profundidade na busca de Deus: “desde aurora ti procuro, a minha alma tem sede de Deus”, busca o Esposo do qual se enamorou no batismo. Esse Esposo que é também chamado de Sabedoria é uma pessoa: é Jesus. Nossa alma se uniu a Ele no batismo e não está em paz enquanto não repousarmos plenamente Nele. Como diz São Paulo: este Cristo “o Senhor mesmo, a uma ordem, à voz dos anjos e ao som das trombetas de Deus, descerá do Céu.” O Esposo vem, por isso Ele mesmo nos alerta sobre a importância da vigilância. As virgens prudentes do evangelho correspondem a nossa alma. Que deseja, que espera o Senhor com as virtudes da fé, da esperança e da caridade. Ao mesmo tempo, somos as lâmpadas; no batismo, recebemos o Espírito Santo que queima em nosso interior e faz nascer o desejo de crescer nas virtudes, o desejo de amar, para permanecermos no Amor por toda eternidade. A fé e a esperança juntas são lâmpada e a caridade é o óleo que alimenta a chama: que nos mantem acordados na vigilância. São João Paulo II dizia: “No rosto do Esposo cada um de nós encontra traços de todos aqueles que amamos nesta margem da nossa vida, da nossa existência. Todos se encontram Nele.” A caridade não é alguma coisa que podemos pedir emprestado. Ou a temos, ou não a temos. No entanto é um dom que podemos crescer praticando. O primeiro passo é reconhecemos nosso vazio e decidirmos aceitá-lo e nos pormos a caminho com os outros, arriscarmos amar, aceitarmos perder, decidirmos não receber nada em troca. Assim caridade vai jorrando abundante em nosso interior. A eternidade é essa festa nupcial de quem se arriscou aventurar no amor. De quem escolheu perder para ganhar, de quem descobriu-se vazio e sedento e só encontrou saciedade em Jesus. A vida Cristã é a espera de Alguém: uma espera que não configura ansiedade. Uma espera iluminada pela fé. Essa espera nos motiva a estar atentos porque sabemos que o Senhor virá, mas já está entre nós e o encontramos em tantos lugares, principalmente na eucaristia e naqueles que Ele ama.