
Homilia XXIX domingo do tempo comum 2023 A Celebramos São João Paulo II, um santo do nosso tempo. Nossa geração tem o privilégio de escutar suas pregações e ver seus atos de acolhida e amor por meio de imagens e vídeos. Na missa de abertura do seu pontificado, ele expressou: “Não tenham medo! Abri, antes, escancarem as portas a Cristo!” O testemunho de São João Paulo II deve nos estimular, nessa celebração, a crescer na amizade com Jesus e acolher sua palavra. Jesus nos convida hoje a avaliar qual é o centro de nossas vidas e onde estamos colocando o sentido e as esperanças da nossa existência. Diante da situação mundial de guerras, conflitos entre irmãos e apego ao material e às falsas seguranças deste mundo, corremos o risco de pensar que Deus está distante. No entanto, já na antífona de entrada, rezamos: “Eu te invoco, ó Deus, porque tu me respondes.” Deus está atento à realidade histórica que vivemos, é nosso companheiro de caminhada, nos protege e orienta, mesmo quando não reconhecemos seu agir. Assim foi com o povo de Israel, exilado na Babilônia sob o poder de Ciro. O imperador não conhecia o Senhor e isso certamente causava desespero ao povo. Mas o profeta Isaías reacende a esperança de serem libertos, pois Deus age mesmo quando não é reconhecido. O Senhor está acima dos poderes temporais e não deixa de ser Senhor porque vivemos em um momento de tribulação. No entanto, o desejo de abandonar o senhorio de Deus pode ser uma tentação forte. Por isso, o profeta nos lembra: “Eu sou o Senhor, não existe outro fora de mim.” No evangelho, é Jesus, assim como o profeta Isaías, que nos convida a colocar Deus no centro de nossas vidas. Deus é maior que as forças políticas, as catástrofes, as coisas materiais e a ânsia de poder. Ele se faz vizinho da nossa humanidade em todas as circunstâncias. Ele permanece fiel. O poder deste mundo, a fama e o reconhecimento dos outros podem se tornar ídolos, nos escravizar e manipular. A saída desta prisão é o reconhecimento da imagem de Deus impressa em cada um de nós. Desta maneira, aprendemos a ordenar nossa vida: colocar cada coisa em seu devido lugar. É justo e coerente que paguemos os impostos devidos. Da mesma forma, é justo que usemos as coisas materiais para o bem nosso e dos nossos irmãos. No entanto, em cada pessoa humana está impressa a imagem e semelhança de Deus, então somente em suas mãos está a nossa existência. Nada, nem ninguém, deve ocupar o lugar de Deus em nossas vidas. Nossa vida pertence ao Senhor; deixemos que ele nos conduza.