
Homilia festa da sagrada família 2023 “Os pastores andaram, sem demora, e encontraram Maria e José e o menino deitado na manjedoura” Lc 2, 16. A liturgia deste domingo se abre com essa antífona, é um convite a contemplarmos uma família: aprender com gente como a gente a ser deste mundo, mas apontar a família do céu. A sagrada família de Nazaré é um modelo de vida, de virtudes e de amor para as nossas famílias. Abrão na primeira leitura recebe uma promessa da parte do Senhor e confia, acredita nessa promessa: “olha o céu e conta as estrelas, se as consegue contar, e prosseguiu: assim será a sua descendência.” A ideia de descendência numerosa é sinal de força e potência para o antigo Israel. Abrão é uma figura exemplar para nós porque confia na promessa, mesmo diante de aparentes impossibilidades: ele e sua mulher eram idosos. Para nossa humanidade, cada vez mais materialista e preocupada com o próprio bem-estar, é um desafio confiar na promessa de Deus. Abrir o coração para a fé é olhar para o infinito: só quem tem os olhos no céu consegue dar um passo de fé e fazer o que nos pede o Senhor. Já no evangelho três realidades devem nos impactar: a promessa que o velho Simeão não morreria sem ver o Salvador, a capacidade de Maria e José de se maravilharem com o que escutam do menino e a profecia da espada de dor que traspassará a alma Maria. Estamos diante de um conjunto perfeito de pessoas de fé, que frequentam o templo, que reconhecem aquele ambiente sacro como casa de encontro com o altíssimo. Ali Simeão e Ana gastam suas vidas, escutando a palavra, intercedendo pelo povo, adorando o altíssimo, vivendo a caridade. José e Maria na mesma sintonia, buscam o templo para apresentar o menino, cumprir uma lei ritual do seu povo. Como é belo ritualizar a vida. O nosso tempo materialista, tem tirado os nossos ritos religiosos e os usado com finalidade comerciais. Mas atenção, o rito religioso é diverso porque nos apresenta ao transcendente, nos leva para Deus e para os irmãos, nos tira de fora de nós mesmos. Ao contrário o rito de compras nos coloca em contato conosco mesmo, nos torna individualistas e mesquinhos, preocupados só com nossas necessidades. Simeão vê com os olhos e toca o Salvador que esperou porque ritualizou muitas vezes aquela promessa, na leitura da palavra, na escuta, no louvor e na adoração. Acreditar que o Senhor vem e poderemos tocá-lo é o primeiro passo para confiarmos mais que o lugar da família é a Igreja, onde vemos o Senhor pela fé e um dia o tocaremos. José e Maria ficam maravilhados com o que escutam do menino. Encantam-se porque veem realizando as promessas que ouviram. A família de Nazaré nos ensina a confiar mais nas promessas de Deus, ter os olhos fixos nos detalhes singelos da presença do Senhor que cumpre suas promessas. Mas outra vez atenção, porque a promessa do Senhor não é de bem-estar completo, de prosperidade neste mundo. Simeão diz que Maria sofrerá, porque o menino será motivo de contradição. Essa é a vida cristã, olhar para as feridas com os olhos fixos na redenção. É a capacidade de tornar-se família cristã, que vê a glória, que se maravilha juntos e que unidos carregam as dores uns dos outros. Digamos sempre: Jesus, Maria e José, nossa família vossa é.