
Homilia do Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor - 2024 Neste Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor, somos convidados a mergulhar profundamente nos mistérios da nossa fé, ao adentrarmos na semana santa. Este é um tempo central, pois nele contemplamos o ápice da nossa fé: a Ressurreição de Jesus, que se revela através do caminho da paixão e da morte. Hoje, ao nos unirmos em comunidade para celebrar, ecoam em nossos corações duas expressões contrastantes do povo de Jerusalém: "Hosana" e "crucifica-o". É uma atitude paradoxal, na qual observamos que o mesmo povo que saudava o Rei da Paz com ramos verdes, logo clamava por sua morte. Nós nos vemos neste povo, reconhecendo em nós essa dualidade de sentimentos e posturas diante de Cristo. Os ramos verdes que agitamos com fervor expressam nossa exultação e louvor, enquanto o madeiro da cruz, banhado com o sangue redentor de Jesus, representa nossa humanidade ferida, muitas vezes injustamente, nossa entrega silenciosa e nossas humilhações. Neste madeiro sagrado vemos lavados os nossos pecados, a nossa falta de amor, o nosso egoísmo e individualismo. A entrega silenciosa de Jesus nos comove interiormente e movimenta nosso desejo de amá-lo e reconhecer no seu modo de encarar a paixão que nele está a verdade, que é “verdadeiramente o Filho de Deus”. Com Santo Paulo VI podemos nos perguntar: se eu estivesse presente no momento fatal da morte de Cristo, que coisa teria compreendido daquele drama? Teria entendido alguma coisa do supremo contraste e da paz suprema que ali se cumpria? Contraste entre a docilidade do ser de Jesus e a severidade da dor infligida Nele. Jesus sofria pacificamente e pacientemente: entre a falsa justiça e verdadeira inocência; era vítima pacífica: entre a malícia humana e a divina santidade; era nosso pacífico salvador: entre a morte e o caminho para a vida; ali já se mostrava um pacífico vitorioso. Para compreendermos o mistério da cruz é necessário que purifiquemos nossa compreensão do Messias. Não devemos vê-lo como um rei deste mundo, mas sim como o Príncipe da Paz que, ao ser exaltado na cruz, curou a humanidade de todas as suas feridas e pecados. Somente quando o deixamos entrar em nosso coração como entrou em Jerusalém em meio a Hosanas e humildemente portando a paz messiânica podemos transformar nosso modo de ser e assim compreenderemos a cruz de Jesus e as nossas cruzes. A vida encarada com a paz que vem da salvação nos faz portadores de paz onde convivemos: na família, no trabalho e em nossas comunidades. Quem reconhece no crucificado o verdadeiro Filho de Deus não é construtor de divisões, mas é sinal do amor de Deus, pois sabe que quem escolhe pelo caminho da paz vence sempre, mesmo quando aparentemente é um humilhado e rejeitado. Que nesta Semana Santa, possamos mergulhar profundamente nestes mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus, renovando assim nosso compromisso de seguir seus passos e levar sua mensagem de amor e paz aonde quer que vamos. Que o exemplo de Maria, que acompanhou o Senhor na dor, nos inspire a permanecermos com o Ele até a contemplação feliz da Vitória sobre a morte.