
Homilia quinto domingo da quaresma Gv 11, 1-45. Disse Jesus: “eu sou a Ressurreição e a Vida.” Estamos no quinto domingo da quaresma, se aproximam os dias da páscoa da Ressurreição. Em nosso itinerário quaresmal aprendemos com Jesus a lidar com nossas tentações, encontramos com sua glória na transfiguração, recebemos a água que sacia verdadeiramente a nossa sede, fomos curados da cegueira que é a incredulidade e hoje chamados para fora do túmulo com Lazaro. Nesta bela liturgia Jesus se manifesta como a ressurreição e a vida, cumpre plenamente a profecia de Ezequiel que ouvimos na primeira leitura: “reconhecereis que eu sou o Senhor, quando abrir as vossas tumbas e vos fazer sair dos vossos sepulcros” Ez 37, 12. No entanto, a maior das revelações por parte de Jesus no evangelho de João, corresponde a uma maior oposição da parte dos “judeus”, os representantes do mundo incrédulo. O sinal da ressurreição de Lázaro provocou nos judeus a decisão de eliminar definitivamente Jesus. O seu povo, os que viam os milagres e escutavam suas palavras não acreditaram, mas isso não impediu Jesus de cumprir a sua missão. No evangelho que ouvimos Jesus não esconde a sua compaixão para com nossa humanidade, chorando a morte de seu amigo. As lagrimas do Senhor indicam duas realidades: em primeiro lugar que Deus, em Jesus, decide participar de nossas dores humanas, inclusive da dor da morte. Diz o texto: “Jesus então, quando viu Maria chorando, se comoveu profundamente.” Temos um Deus que não é indiferente ao nosso pranto. Não o elimina magicamente, mas se torna próximo, chora com nossa humanidade sofredora. Em segundo lugar esse choro não é um sinal de desespero e de falta de sentido. O choro de Jesus é uma comoção que nasce do profundo, do interior e é carregado de esperança e de amor. Os judeus quando o viam chorar diante do tumulo disseram: “vejam como o amava.” O amor é capaz de tornar o pranto um remédio de esperança e de vida. Diante do tumulo Jesus diz com voz forte: “Lázaro vem para fora.” Este é um grito à toda humanidade para sair do sepulcro. Somos como Lázaro, frágeis e entregues às forças da morte que também se manifestam quando estamos em vida. Inúmeros são os sepulcros que nos impedem de amar, de perdoar, de viver livres do pecado. Peçamos ao Senhor que se mova hoje a pedra do nosso sepulcro interior, seja ela qual for. Ti pedimos, Jesus, nossa Ressurreição e nossa Vida, entra em nosso interior como o raio do sol; o grito do amigo rompa agora o silêncio, o fechamento do nosso coração; as faixas que nos amarram sejam banhadas com tuas santas lagrimas de amor e nos sintamos soltos, livres. Jesus professamos que Tu és a Ressurreição e a Vida, com Sua morte e ressurreição és vencedor para sempre. Chama a tua Igreja Jesus, que jaz nas sombras da morte, à vida e desata as faixas que nos fazem presos ao pecado, a indiferença e a falta de amor. Amém