
Homilia XIII domingo do tempo comum “Quem não toma a sua cruz não é digno de mim” disse-nos o Senhor hoje. Tomar a cruz! Que expressão exigente! Que proposta desconfortável para quem quer atrair pessoas ao seguimento. No entanto, o evangelho não é uma ilusão, promessas mágicas de sucesso e riquezas neste mundo. O evangelho de Jesus é um percurso de Cruz que nos porta a uma vitória maior, que nos conduz à eternidade. Vivemos em uma sociedade que mascara o sofrimento e não quer ouvir falar de cruz. Tanto é verdade que nossa tendência é esconder tudo aquilo que não queremos ver: a velhice nos asilos, a doença nos hospitais, os crimes na prisão, a pobreza nas periferias etc. Temos dificuldade em lidar com a vida real. No que se refere ao seguimento de Jesus muitas vezes cultivamos a falsa ideia que segui-lo seja uma condição para não termos sofrimentos e dificuldades. Jesus não nos prometeu tirar as cruzes próprias da vida. Ao contrário, ele carregou a cruz nas costas para nos ensinar como carregarmos as nossas. Podemos dizer que, na liturgia de hoje, o Senhor nos ensina dois modos de carregarmos a cruz: por amor a Ele e nos solidarizando com as cruzes dos irmãos. O amor supera tudo. A raiz dessa verdade surge quando alimentamos um amor autêntico pelo Senhor. Um amor que está acima de coisas e pessoas. Quando esse amor é forte e nasce de uma intimidade, as perseguições, as cruzes e os sofrimentos se tornam um ato de compartilhamento dos próprios sofrimentos do Senhor. Assim, o peso é divido e carregamos a certeza de não estarmos sós, mas de termos um amigo ao nosso lado. Mas o amor pelo Senhor nos faz olhar para o lado e enxergamos a dor e o sofrimento dos irmãos. Encontrar com a dor do irmão torna-se um remédio para nossas dores porque nos tira de nós mesmo e nos faz reconhecer que a dor do outro precisa ser compartilhada, clama por uma presença amiga. Um pequeno gesto de amor, como o ofertar um copo de água, uma palavra ou mesmo um tempo de escuta a quem sofre pode ser a receita que falta para sairmos dos nossos problemas e reencontrarmos com a alegria do viver. Sejamos corajosos hoje e digamos a Jesus que queremos segui-lo, mesmo quando a dor vem, quando a incompreensão surge e quando a perseguição nos quer fazer desistir. Pedimos ao Senhor que a nossa cruz nos faça olhar para as cruzes dos irmãos e sermos um sustento e alívio em suas dores: neste caminho, enquanto curamos as chagas dos irmãos seremos curados das nossas chagas.