
Homilia XI domingo do tempo comum – ano A A liturgia deste domingo faz-nos percorrer um caminho de profecia e cumprimento em relação a Igreja. Moisés no livro do Êxodo proclama que se o povo de Israel mantém a fidelidade à Aliança será um “reino de sacerdotes e uma nação santa”. (Es 19, 6a) Essa profecia lançada sobre Israel se cumpre no evangelho onde Jesus chama doze dos seus discípulos e lhes confere uma autoridade sacerdotal: “anunciai o evangelho, dizendo que o reino dos céus é vizinho. Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, purificai os leprosos, expulsai os demônios.” (Mt 10, 8). O chamado e o envio dos doze apóstolos nos oferecem uma imagem da Igreja que, unida a Cristo, deve prolongar no tempo a sua ação salvífica. A Igreja é a reunião de todas as pessoas de boa vontade que respondem sim ao chamado de Jesus. Ele continua a nos chamar pelo nome como chamou os doze apóstolos. Na fonte batismal a voz do sacerdote é a voz do Senhor que entra em nossos ouvidos e que irresistivelmente toca a nossa carne e daquele momento em diante somos seus. A voz do Senhor em nós continua a nos enviar e nos faz fixar os olhos onde Jesus os fixou. É interessante notarmos que Jesus olha para o povo sem pastores com compaixão. A Igreja nasce do olhar compassivo de Jesus que vê um povo caminhado sem rumo. Nosso tempo confuso e esvaziado pelo virtual, destruído por aparências superficiais, muitas vezes violentas e destrutivas, nos faz náufragos da existência. Como no mar as ondas da cultura atual podem nos conduzir para onde querem. O Senhor continua com o seu olhar voltado para nós e ao mesmo tempo Ele precisa do nosso olhar para se aproximar daquelas pessoas que perdem o sentido da vida, da fé, da paz, do perdão e do amor. O Senhor precisa muito mais que de bons gestores e administradores de pastorais ou organizadores de eventos: Ele precisa de olhos e de carne que caminhe com os irmãos e que lhes aponte o céu. Precisa de corações gratuitos que receberam o amor do Senhor e precisam comunicá-lo pela pregação da boa nova, por meio do toque na dor dos doentes, na vida devolvida a quem se sente como morto e na expulsão do mal. Jesus continua a olhar o mundo com compaixão. Hoje as mãos, o olhar, os corações e as vozes de que Ele dispõe são as minhas e as suas. Anunciemos o seu amor ao mundo e não nos cansemos de pedir santos e bons pastores: enviai operários para a sua messe Senhor! Amém