
Homilia V domingo da páscoa. Logo após a última ceia de Jesus com seus discípulos, o evangelista João apresenta Jesus fazendo um longo discurso de despedida. Este discurso tem um sentido profundamente pascal, pois é carregado de um tom consolador e profético. Percebemos na reação dos discípulos um clima de angústia e medo pela partida do Mestre. E propriamente no evangelho de hoje, Jesus se oferece como consolação, como casa, como caminho, verdade e vida. Diante das angústias e medos da caminhada cristã: só Jesus Ressuscitado pode nos trazer a paz e a segurança. A insegurança da “ausência de Deus” pode gerar em nossa humanidade uma sensação semelhante à de não termos onde morar: uma experiência de estarmos vagando no mundo. A casa é sinal de segurança, de aconchego, de estabilidade. Como é bom voltar para casa após uma jornada de trabalho e desafios! A casa refaz as nossas energias para continuarmos a batalha do dia a dia. Diante disto, no evangelho de hoje, Jesus se apresenta como aquele que vai preparar nos um lugar na casa do Pai. Esse lugar é o seu próprio Corpo glorioso. A casa aqui é mais que um lugar de habitação: é uma pessoa, é o próprio Jesus. Precisamos desejar, querer habitar em Deus por toda eternidade. Na segunda leitura da Carta de Pedro, o apóstolo, nos convida a começarmos aqui e agora a colaborar com o Senhor na construção desta morada: de um edifício espiritual cuja pedra fundamental e viva é o próprio Cristo. Os discípulos viveram as mesmas experiências que todos os dias somos confrontados. Diante de tantos caminhos, tantas ideias, que direção deve tomar o discípulo que fez uma experiência com Jesus ressuscitado? Jesus não oferece um conceito ou ideia racional para responder a este questionamento. Ele mesmo se oferece como o caminho que todo discípulo deve percorrer para chegar ao Pai. As encruzilhas da vida são inevitáveis! Quando não sabemos qual estrada tomar, corremos o risco de seguir o fluxo da cultura, da moda e do momento. Precisamos aprender a parar, a silenciar e a ficar com Jesus para escutarmos a sua voz. A pedir como Tomé: “Senhor, como podemos conhecer o caminho?” Jesus é a melhor resposta, é a estrada que leva à casa do Pai. Jesus é o rosto humano de Deus. A unidade entre Pai e o Filho configuram a verdade e a plenitude da revelação. Assim, também a verdade não é um conceito que faz confronto com a mentira e com o erro. O encontro que desejamos fazer com a verdade, com o significado do mistério da nossa vida só pode se concretizar quando aprendemos a estar em Jesus. Somente Nele podemos viver uma vida feliz; somente Ele é o caminho seguro para a casa onde encontraremos o descanso verdadeiro das lutas da vida.