
Homilia XII domingo do tempo comum “Cantai hinos ao Senhor, louvai o Senhor, porque libertou a vida do pobre das mãos dos malfeitores.” Ouvimos hoje, na primeira leitura, esse convite do profeta Jeremias. Trata-se de um convite litúrgico ao louvor: um ato de reconhecimento de Deus que é vencedor diante das crises humanas. O profeta se reconhece em uma crise externa e interna; é perseguido por comunicar a palavra do Senhor e nessa condição se sente abalado também em sua fé. Como anunciar o Senhor em meio às perseguições e continuar a nutrir a serenidade da fé? O autor sagrado encontra a resposta na atitude do louvor. A oração de louvor é capaz de curar nossas crises internas e externas, porque nos tiram de nós mesmo, nos faz colocar tudo nas mãos do Senhor, nos tira da murmuração e nos faz reconhecer a proteção, o cuidado e o amor de Deus. Jesus, no evangelho de hoje, é atento às crises dos discípulos. É Senhor que reconhece o cansaço, os medos e as inseguranças dos que se colocam à disposição de evangelizar. Todos nós batizados recebemos a missão de anunciar o evangelho no quotidiano da nossa vida. A evangelização é a marca original do discípulo de Jesus. É uma força superior às nossas, como um germe de vida que nos atrai para escutar a voz do Senhor, sentir o seu amor e sair pelo mundo a comunicá-lo. No entanto, essa não é uma missão fácil: ser cristão não pode ser um mero compromisso semanal de ir à missa e recitar algumas orações. A missa, as orações, o encontro com a palavra, os atos de caridade precisam se tornar vida, correr nas veias do nosso corpo, fazer o nosso coração bater no mesmo compasso do de Jesus. Nesse momento nos tornamos evangelizadores com nossa vida e é também nesse momento que encontramos as incompreensões, os julgamentos e as perseguições. Inclusive é belo recordarmos agora de tantos nossos irmãos que ainda em nossos dias continuam a ser perseguidos e martirizados pela fé, nos unimos aos mártires dos nossos tempos! Na perseguição e nas incompreensões, a palavra do Senhor continua a nos confortar: “não tenhais medo”! Não devemos temer porque o medo exclui o amor, nos faz paralisados e destrói o dinamismo do Espírito. A coragem que o Senhor nos oferece é a força do seu Espírito e a promessa de ser nosso defensor diante do Pai. O valor da nossa vida e do céu que o Senhor nos prepara é maior que as perseguições, as ameaças, é maior inclusive que a morte. Não nos cansemos de anunciar o amor do Senhor aonde Ele nos levar. “Vejam os pobres e se alegrem; vós que buscai a Deus, caminhemos com coragem, porque o Senhor escuta os pobres e não despreza os seus prisioneiros.”