
Homilia Solenidade Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo 2023 Nesta bela solenidade celebramos o memorial da Páscoa de Jesus: seu corpo e seu sangue deixados como testamentos de nossa salvação. Esta festa é uma grande oportunidade para crescermos na fé da presença real de Jesus na Eucaristia e assim formarmos uma Igreja adoradora. A Igreja encontra na adoração do corpo do Senhor a sua linfa vital. A adoração prepara o nutrimento: comer do corpo e beber do sangue do Senhor. O corpo sacramental de Jesus é uma realidade material, é uma ponte através da qual Deus entra no nosso mundo interior, o diviniza e o salva. Aqui está a dignidade e a grande beleza do corpo: como canal de relação entre Deus e a humanidade. A vida eterna é doada a nós e transita de Cristo a nós através do corpo. A eucaristia é verdadeiro corpo e verdadeiro sangue. No corpo de Jesus nos encontramos com o verdadeiro significado da nossa corporeidade. Fomos formados da terra, somos essencialmente uma mistura de água e terra, como descreve o livro de Genesis. Além disso, só nos mantemos vivos se nos nutrimos dos frutos que a terra produz. Tudo o que somos nos remete à nossa origem e ao nosso fim. Ao adorarmos o corpo sacramental de Jesus somos reorientados em nossa condição de criaturas e de filhos destinados ao nutrimento eterno e perfeito. Nos alimentar da eucaristia é reorientar o sentido dos nossos banquetes. Do que verdadeiramente temos sede e fome? Onde estamos encontrando saciedade? Como é belo ter a coragem de admitir nossa fome, o quanto isso é humano e pode ser uma porta de acesso para a graça de Deus. Somente no conhecimento de nossa sede e nossa fome podemos admitir que no fundo tentamos nos saciar conosco mesmos, com nossa sede de prazer, de poder e de ter coisas e pessoas ao nosso redor. No fundo ao reconhecermos em nossa corporeidade essas dependências profundamente humanas encontramos com uma verdade: só Deus pode nos saciar perfeitamente; só Ele pode nutrir nosso corpo, pois a nossa sede e a nossa fome são de eternidade: é uma aspiração de completude. Somente na Eucaristia o corpo do homem e o corpo de Cristo são capazes de se unir nessa completude desejada: “quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele”, disse o Senhor. Jesus é o nosso nutrimento corporal, o único capaz de nos manter saciados aqui e agora e nos conduzir à saciedade eterna.