
Homilia do quarto domingo da quaresma – 2024 Paulo nos recorda que com Cristo nós somos ressuscitados; com Ele, Deus fez a humanidade sentar-se nos céus para mostrar nos séculos futuros a extraordinária riqueza da sua graça mediante a sua bondade por nós em Cristo Jesus. Cristo é o sinal da bondade de Deus para com a humanidade e concretamente uma prova de amor. Neste quarto domingo da quaresma, a liturgia nos faz já vivenciar a Páscoa que se avizinha. A cor penitencial do roxo é trocada pela cor alegre do rosa: não é roxo e nem branco, é um já e ainda não. Uma recordação feliz da salvação do nosso Deus em um tempo ainda de penitência e preparação. Assim é a vida cristã: Jesus nos salvou pela sua cruz, mas é necessário ainda nossa adesão de fé a essa salvação, o nosso querer e a nossa transformação pela força deste mistério de amor. O final do diálogo de Jesus com Nicodemos nos faz estar com os pés na estrada quaresmal, mas com o coração e o olhar dirigidos para a Páscoa. Assim, a estrada penitencial, de oração, de jejum e de caridade recebem um novo sentido. A penitência quaresmal não pode ser um fim em si mesma; ela visa nossa transformação no mistério pascal de Cristo por meio do amor, da fé e da sua luz que vence as trevas. João escreve que a cruz é o testamento do amor de Deus pela humanidade, não um sinal de condenação. A cruz levantada como a serpente no deserto é sinal de cura e de salvação, não instrumento da ira divina. O que contemplamos na cruz: a alegria da nossa salvação ou o medo da condenação? Disse o Senhor: Deus, com efeito, não mandou o Filho no mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por meio dele. Acolher essa graça é o sentido da nossa alegria, a fonte da nossa penitência. Depois o diálogo é conduzido para a fé, que é ao mesmo tempo um empenho humano e uma graça de Deus. Disse o Senhor: Aquele que crê no Filho de Deus não é condenado. A fé nesse sentido exige conhecimento do amor de Deus revelado no Filho, exige nosso empenho de querer conhecê-lo para aprender a amá-lo. Conhecê-lo pelas palavras, pela oração de intimidade, pela contemplação de seus gestos e pela Eucaristia. Mas a fé é também uma graça, por isso precisamos pedi-la ao Senhor na nossa oração: aumenta, Senhor, a nossa fé. Ao final do diálogo, Jesus faz uma referência claramente batismal, já nos colocando diante da liturgia bela da vigília pascal. Ele é a luz do mundo, que veio iluminar a humanidade que jazia nas trevas. No batismo, somos iluminados; as trevas do nosso interior são vencidas pela luz da ressurreição. A maldade e o pecado não podem imperar no coração de quem foi iluminado pela luz do batismo. O cristão ilumina a face da terra com a prática da verdade, quando ele deixa que suas obras tenham origem em Deus sendo assim capaz de iluminar outros corações. Como Paulo concluímos afirmando nossa identidade batismal: somos, efetivamente, obra sua, criados em Cristo para obras boas, que Deus preparou para que nestas caminhássemos.