
Homilia XXVIII domingo do tempo comum Irmãos, o Senhor nos convida neste domingo a participar do seu banquete nupcial, trajando vestes de festa e alegrando-nos, pois seu Filho, o noivo, desposa sua amada, que é a Igreja. No tempo do profeta Isaías, o monte Sião era o lugar por excelência onde o povo de Israel apresentava a Deus sacrifícios e holocaustos. Isaías, ungido pela força do Espírito, se serve daquilo que vê sobre o monte Sião para descrever simbolicamente o sacrifício-banquete dos tempos messiânicos. A descrição do banquete é fascinante e reconfortante. É Deus mesmo, o Senhor dos exércitos, quem preparará um grande banquete, ao qual todos os povos da terra são convidados. Será um banquete pacífico de fraternidade universal. Nessa ocasião de comidas deliciosas e generoso vinho, Deus mesmo fará desaparecer do meio dos homens as lágrimas, o luto e a tristeza. Ele removerá dos olhos da humanidade o véu que os impede de ver e compreender as realidades divinas. Esta imagem do grande banquete dos tempos messiânicos será constantemente lembrada nas escrituras. Cristo a retoma na parábola de hoje e a transforma em realidade durante a última ceia. Essa é uma imagem perfeita da eucaristia, o penhor da glória reservada para nós na eternidade. Hoje, é o próprio Filho quem nos convida para seu banquete nupcial. A pergunta que devemos nos fazer é: como estamos acolhendo esse convite? Os primeiros convidados foram os judeus, o povo eleito, que decididamente rejeitaram o convite, pois estavam mais preocupados com seus afazeres e em cumprir suas tradições. Os convidados em segunda ordem são todos os que estão pelo caminho: bons e maus. Na imagem da sala de festa cheia, nos deparamos com o juízo divino. Ele é o único capaz de separar os bons dos maus, vendo o coração do ser humano e não as aparências. A parábola de Mateus enfatiza a importância dessa veste nupcial, que um dos convidados não apresentou. Essas vestes indicam uma bela ação de Deus para com a humanidade: “Me revestistes das vestes da salvação, me envolvestes com o manto da justiça” (Is 61,10). Os textos bíblicos que falam das vestes nupciais fazem referência à santidade de Deus, da qual somos chamados a participar por meio de sua graça santificante. De modo concreto, o Senhor nos chama a deixar de lado os julgamentos sobre nossos irmãos. Ele é o único juiz. E a participar com maior fervor e alegria da eucaristia, o lugar onde o Senhor nos santifica, nos molda ao seu querer e nos reveste com os trajes da salvação.