
Homilia do domingo de Ramos e da Paixão do Senhor Com a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém e com a sua oferta na cruz a Igreja abre um tempo de graça: a semana santa. Para nós cristãos essa é uma grande semana, uma grande festa, dizemos que é a mãe de todas as outras festas: a páscoa do Senhor. Na narrativa da paixão encontramos uma motivação primaria para vivemos bem essa semana: “os discípulos aproximaram-se de Jesus e lhe disseram: ‘Onde queres que preparemos a ceia pascal?” Toda essa liturgia fala de preparação. Uma palavra simples, mas muitas vezes passamos por ela desatentamente e não desfrutamos sua mística. A quaresma nos colocou em um caminho de preparação penitencial. Chegamos ao dia da benção dos ramos, dia no qual o Senhor se prepara e entra em Jerusalém consciente de que deverá se ofertar, manso, montado em um jumentinho: é o rei que vem para ser crucificado. Desde o livro do Genesis até esse momento, toda a criação, toda a história é uma grande preparação da salvação que Jesus realiza na cruz. Fazemos experiência concreta que a preparação de uma festa é o que verdadeiramente lhe confere sentido. É por isso que o Senhor co-envolve os discípulos na preparação de sua páscoa. Os envia a andar em busca do jumentinho, os envia a procurar o lugar onde comerão a última ceia e no Getsemani os convidou a vigiar e orar com Ele. É certo que os discípulos não entenderam bem o que Jesus queria, os discípulos dormem enquanto Jesus sofre a agonia, Judas o traiu, Pedro o nega por três vezes; são as expressões do nosso discipulado fragilizado. No entanto o Senhor insiste em nos convidar a co-envolver a nossa existência no mistério de sua oferta, paixão e morte. Jesus vai em direção a concretizar a sua oferta ao Pai pela salvação do mundo. Vai consciente que a oferta que agrada a Deus é a oferta de si mesmo e faz isso porque nos ama sem esperar nada em troca, porque deseja restabelecer a comunhão de Deus com a nossa humanidade. O pão partido e repartido na última ceia é a preparação da cruz, é o sacrifício de Jesus. O momento ritual que antecipa a sua morte tornou se para nós um dom perpetuo do Corpo oferto e do Sangue derramado: ofertas que agradam a Deus e que realizamos em ação de Graças pela nossa salvação. A última ceia já é a paixão e a eucaristia que celebramos é a participação atual onde nossos olhos podem ver, nossas mãos podem tocar a concretude do Verbo de Deus que se incarnou para nos salvar na cruz. Hoje somos nós Jesus, seus discípulos. Escutamos o seu convite. Queremos preparar a sua páscoa para que seja também nossa páscoa. Ensina-nos a ti acompanhar com hosanas, a aceitar-te como Senhor e rei; ensina-nos a estar no seu banquete, a comer o pão da vida e beber do cálice da salvação; ensinar-nos a ti acompanhar na agonia e faz-nos enxergar a agonia de nossos irmãos; faz-nos corajosos diante dos irmãos para não renegarmos a nossa fé. Jesus, queremos aprender a ti acompanhar na alegria e na cruz. Ver te crucificado por mim; crucificar contigo a minha maldade, a minha indiferença a minha falta de amor. Suas santas chagas curem as feridas que me impedem de preparar e viver esta grande festa. Amém