
Homilia do XXX Domingo do Tempo Comum 2023 A Irmãos, somente o Senhor é capaz de gerar em nós a fé, a esperança e a caridade. Devemos sempre rezar com essa intenção, pois essa prece é ao mesmo tempo uma profissão de fé e um caminho de conversão. No livro do Êxodo, o Senhor Deus se manifesta como um Deus piedoso e compassivo que ouve o grito dos pobres e daqueles que não têm a quem recorrer. Deus nos mostra seu rosto caridoso e nos promete uma vida eterna sem sofrimentos - uma vida feliz Nele. Mas como reconhecer esse rosto de Deus enquanto caminhamos neste peregrinar terreno? No Evangelho de Mateus, Jesus está ensinando sobre a vida eterna. Na compreensão dos fariseus, a vida eterna é uma recompensa para aqueles que cumprem de modo perfeito as leis da Torah. No entanto, Jesus mostra que é preciso ir além da lei, alcançar o seu coração ou a sua essência, que é o amor. Jesus veio revelar que Deus tem um rosto concreto, que podemos tocar com as mãos, ver com os olhos; esse rosto passa no meio de nós, se revela e se esconde. Desvelar o rosto do Senhor é para homens e mulheres corajosos, para aqueles que se arriscam a amar. No entanto, o amor não se refere a sentimentos, mas a escolhas. Jesus nos ensinou: “Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua mente.” Amigos, precisamos admitir que existem muitas seduções neste mundo e que é muito fácil escolher adorar ídolos no lugar de Deus. Ídolos são deuses que fabricamos e colocamos no lugar do Senhor, como coisas, pessoas ou nós mesmos. Escolher amar a Deus com tudo o que somos é ter a coragem de destruir os ídolos que fabricamos. O mais belo desta aventura de amar a Deus com todo o nosso ser é que essa escolha nos abre para um processo de reconhecimento dos nossos irmãos. A adoração aos nossos ídolos nos faz parar em nossos problemas. Eles parecem ser intransponíveis, porque o ídolo não nos permite olhar para fora. Por outro lado, a adoração ao Deus verdadeiro, que é caridoso e bondoso, nos faz sair de nossos problemas pessoais e encontrar irmãos: “Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.” A dor do próximo ressoa no coração de quem encontrou a Deus, de quem se deixou ser amado, perdoado e curado. Só é capaz de amar, perdoar e curar quem aceitou ser necessitado, quem precisou do perdão porque errou, quem se viu caído na dor e no sofrimento. Que o Senhor nos ajude a amá-lo verdadeiramente e com todo o nosso ser e, nesse caminho, possamos amar o que Ele ama: a pessoa humana, nossos irmãos, criados à sua imagem e semelhança.