
Homilia do segundo domingo da quaresma Mt 17, 1-9 “É o teu rosto, Senhor, que eu procuro” Sal 26, 8. Uma das maiores aspirações da nossa humanidade é atingir o alto, por isso uma montanha ou o céu são tão atraentes ao nosso olhar. Aspiramos a tudo que é elevado e expressamos essa busca na arte, na religião e no ato de amar. A quaresma é um tempo oportuno de reacender a chama desta busca interior, é tempo de subir a montanha com Jesus para um encontro de salvação e de vida. O Papa Francisco escreve que a subida ao Monte Tabor serve “para aprofundar o nosso conhecimento do Mestre, para compreender e acolher profundamente o mistério da salvação divina, realizada no dom total de si mesmo por amor, é preciso deixar-se conduzir por Ele à parte e ao alto, rompendo com a mediocridade e as vaidades.” Embora seja bela e fascinante sabemos o quando é difícil subir uma montanha. Neste mesmo sentido, sabemos como é difícil romper com a mediocridade, com a vaidade, com o pecado. Não excluindo os esforços pessoais nesta direção é preciso aprender a deixar-se ser conduzido, é preciso procurar a verdadeira face do Senhor, a sua face transfigurada. Na sua transfiguração, Jesus é visto pelos seus discípulos na sua forma divina, sem deixar de ser um como nós. O seu corpo torna-se espiritual e as suas roupas são também transformadas. Jesus brilhou como o sol, provando que Ele é a luz que ilumina toda humanidade. Na transfiguração Jesus revela sua divindade, mas ao mesmo tempo oferece a cada um de nós um espelho para nos enxergamos Nele, na sua glória. Nós somos feitos para o alto, para a Ressureição, para a Luz do seu amor. Subir a montanha com Jesus é deixar de lado tudo o que tem impedido o rosto do Senhor se refletir no nosso rosto humano. No monte Tabor os discípulos conhecem o mestre, mas também entendem a sua missão. No meio da nuvem luminosa que faz sombra aos justos, ao mesmo tempo, sentem-se protegidos e encontram um sentido, uma luz que dissipa toda escuridão de dúvidas e falta de fé. Com Jesus os discípulos veem Moisés e Elias. Eles, juntamente conosco, devem preparar um tabernáculo para o Senhor no santuário, que é o nosso coração. Estando neste lugar o Pai revela quem é o Filho, por meio de sua voz, mas não devemos pensar que a voz de Deus é necessariamente audível. A voz diz-nos: “escutai-o”. O Pai se manifesta através da pregação do Filho e é glorificado através da sua humildade. Assim, encontrar o Senhor no Tabor é abrir os olhos para enxergar sua face em nossa humanidade, ser como Jesus e isso cumprimos obedecendo sua Palavra. “Que o Senhor não esconda sua face de nós.”