
Homilia XXXIII Domingo do tempo comum A 2023 A parábola contada por São Mateus no evangelho de hoje, nos fala abundantemente daquilo que Deus nos dá. Deus confia em nossa humanidade! Recordamos que no livro do Genesis ele coloca toda a criação aos cuidados do ser humano. Nesta mesma linha Jesus ensina que Deus entrega todos os seus bens a nós. A cada um, individualmente Deus entregou algo. Diz a parábola: “a um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um talento, segundo a capacidade de cada um.” O Senhor conhece nossas capacidades, confia em nós de modo individual. Talvez poucas vezes nos perguntamos sobre aquilo que Deus nos deu e sobre nossas capacidades. Interessante é que ficamos olhando aquilo que não temos. Fixados nas capacidades dos outros, admirando e criando ídolos, perdemos o contato com os dons que recebemos, enterrando-os no nosso medo. Com o medo de nos colocar a serviço, de nos doar com aquilo que temos, corremos o risco de deixar o tempo passar, de deixar a vida andar em frente e perdemos oportunidades de amar e servir com aquilo que recebemos de Deus. Perdemos a oportunidade de ser feliz e de nos realizarmos como pessoas humanas. O evangelho de hoje fala de fidelidade no pouco. E como exemplo encontramos a mulher virtuosa do livro de provérbios, que trabalha com as mãos, que é artesã virtuosa. Crescer nos dons e nas virtudes é um trabalho artesanal. É um processo de abandono na graça de Deus, o grande artesão, que pode ir nos moldando, segundo o seu querer. Mas para isso precisamos ter a coragem de colocar à sua disposição as nossas capacidades, os dons que recebemos. É preciso servir com aquilo que temos, e aos poucos a graça vai multiplicando aquilo que colocamos a serviço. Amigos, o Senhor prometeu voltar. Neste dia espera nos encontrar acordados em sua luz. Essa promessa não deve nos encher de medo, mas de esperança e de alegria. Pois Ele irá nos dar a sua alegria plena, será uma festa sem fim, será um tempo de glória. O Senhor confirmará aquilo que nossas capacidades e nossa coragem de nos colocar a serviço realizou em nós: “Servo bom e fiel, já que fostes fiel no pouco, tomai parte na minha alegria.” Quem se arrisca amar e servir aprende a fidelidade e a bondade. Se deixa modelar por aquele que é Bom, encontra uma alegria que vai além das coisas deste mundo, uma alegria que supera essa vida, que nos abre a eternidade. Que Deus nos ajude a arriscarmos amar e servir com aquilo que Ele nos deu. Certos da vinda gloriosa do Senhor, nossas mãos estejam ocupadas com a caridade e nossos olhos fixos nas suas promessas.