
Homilia do Primeiro Domingo do Advento de 2023. Iniciamos hoje um novo tempo litúrgico. O Papa Bento XVI afirmou no início de um Advento: “Deus tem tempo para nós! Essa é a primeira coisa que o início de um novo ano litúrgico nos faz redescobrir maravilhados. Sim: Deus nos doa o seu tempo, porque entrou em nossa história com sua Palavra e suas obras de salvação, para abri-la ao eterno, para fazê-la tornar-se história de aliança.” Estamos às portas de celebrar o Natal do Senhor e contemplar, com os pastores, a alegria do Verbo de Deus que se fez carne e veio morar no meio de nós. Agora é tempo de preparação, não para recordarmos um fato do passado, mas para acolhermos esse Deus encarnado em nossa história hoje e esperarmos vigilantes sua vinda gloriosa. Na oração inicial desta eucaristia, pedimos a Deus para caminharmos ao encontro de Cristo com nossas boas obras, com boa disposição interior e com nossa vontade direcionada para a eternidade. Estar vigilantes é querer o céu, é orientar nossos desejos para a eternidade. O profeta Isaías narra a esperança do povo de Israel, que hoje deve tornar-se a nossa. Deus vem ao encontro daqueles que praticam com alegria a justiça e daqueles que se recordam de suas vias. Mesmo diante dos pecados e guerras que criamos, o Senhor não se cansa de nós. Por isso, com o profeta, devemos continuar a pedir: “Senhor, tu és nosso Pai; nós somos argila e tu nos plasmastes, todos somos obras de tuas mãos.” Somos argila; devemos reconhecer a nossa fragilidade humana. Nessa realidade de abertura, de reconhecimento, Deus pode entrar e nos remodelar. Deus é um artesão sábio que entra em nosso tempo cotidiano com sutileza e leveza. Ele não vem despedaçando e destruindo, mas, se observamos bem, vai nos dando lições que nos transformam. Talvez, irmão, nesse tempo do Advento, o Senhor esteja nos pedindo uma maior atenção à sua palavra para percebermos o que Ele está realizando em nós. Em segundo lugar, com São Paulo, precisamos aprender a reconhecer os dons e carismas que recebemos para a manifestação do Senhor, nosso Jesus Cristo. A Igreja recebe o dom da fé e a força do Senhor. Só Ele pode nos fazer caminhar irrepreensíveis em sua espera. É também Ele que gera em nós a comunhão. Então, a vigilância é também um caminho de aproximação do nosso Senhor. Como ouvimos no Evangelho, é permanecer com o Senhor, como se Ele nunca tivesse partido. É cumprir o que Ele nos ordenou como se retornasse a qualquer momento, ao improviso. Não para cobrar ou nos julgar, mas para fazê-lo feliz pelo amor que nutrimos por Ele. Como é bela a Igreja porque é a Esposa amorosa que não se cansa de esperar seu amado, que o procura ao amanhecer, com o raiar do sol, ao longo do dia, a tarde e à noite. Devemos estar sempre acordados e bem-dispostos, com os olhos fixos na Palavra de Jesus, encontrando-O na liturgia, nos irmãos, na beleza da criação. Que este nosso tempo corrido e fluido não nos distraia da atenção àquele que esperamos. Maranatha, vem Senhor Jesus. Vem transformar nosso tempo em eternidade.