
A mídia, como é sabido, é um poder muito forte. Capaz de criar consciência de marcas, fabricar personalidades, heróis e ídolos, pode destruir reputações, levar ao esquecimento famosos, mudar culturas, comportamentos e hábitos, e, é claro, vender muitos produtos e serviços. Tal poder nasceu com um vício óbvio, a mídia depende de dinheiro. Sua atividade de informar e entreter não é, por si só, lucrativa, depende da publicidade e, como pode atender aos interesses citados anteriormente, pode facilmente flertar com eles, em troca de mais poder ou de dinheiro. Deste modo, nunca acreditei, ser a mídia sempre o bastante isenta, assim como cada um de nós, que sempre responde e concorda com nossas próprias crenças, valores, objetivos e/ou interesses. Aliás, interesses movem o mundo. Nada é mais óbvio do que isso, já dizia minha saudosa avó. Tudo que fazemos, dos negócios a filantropia, atende a algum interesse que pode variar do mais puro egoísmo, ganância ou vaidade, alcançando o bem-estar, cuidado com o próximo e/ou o mais legítimo amor. A mídia, bem menos romântica que um casal de namorados, é movida por interesses e, portanto, responde de forma imediata a eles, responde e pergunta, só não duvida de seus interesses. Assim, inocente é aquele que vê uma notícia e acredita que se depara com informação isenta. A cada opinião, a cada imagem, diante da escolha da trilha, das palavras, da sequência de takes, do enquadramento, da manchete, muitas verdades tendenciosas já estão sendo ditas, sem que você perceba que suas verdades estão sendo construídas das verdades de outras pessoas, como agora mesmo eu faço. Assim, sim, sempre, a mídia estará abaixo da média, da média que nossas mentes e almas desejam para construirmos, de verdade, as nossas verdades. Assim como o álcool deve ser consumido com moderação, e evitado em determinadas situações, use a mídia da mesma forma: moderação e abstinência, é sempre bom. Boa semana!