
Quando se fala de desapego no Yoga, é frequente surgirem equívocos. Uns associam-no a renúncia forçada, outros a indiferença emocional, outros ainda a uma espécie de afastamento do mundo. O Yoga Sūtra não confirma nenhuma destas leituras simplistas. Pelo contrário, oferece uma análise subtil, exigente e profundamente prática daquilo que significa, de facto, libertar-se. Depois de apresentar, no Sūtra I.15, o desapego em relação aos objetos de prazer — sensoriais ou mais subtis — Patañjali dá um passo decisivo no Sūtra I.16. Aqui, o desapego deixa de incidir sobre “coisas” e passa a incidir sobre algo muito mais fundamental: as forças que estruturam toda a experiência. É este movimento — silencioso, radical e transformador — que caracteriza o vairāgya supremo.